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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Escola, o que é o almoço?

Anda por aí uma celeuma das grandes, e com razão diga-se, por causa da alimentação das crianças nas escolas.

Esta história é tão inacreditável que eu nem sei por onde começar para botar discurso de opinião sobre o tema. É aquele tipo de história que não tem ponta por onde se lhe pegue! Toda ela é inacreditável.

Ora, para quem não tem filhos em idade escolar, ou tem mas não andam na escola pública, ou tem e andam na escola pública mas almoçam em ou de casa, vamos esclarecer a questão:

Era uma vez um país encantado e à beira-mar plantado (fiz uma rima! Yeahh), que se diz, e é considerado pela OCDE, um país de 1º mundo. Ora o que é isso? Perguntam vocês... E perguntam muito bem, pois neste país, apesar de classificado como 1º mundo, o que por lá se passa é digno de 3º mundo. Este é um país europeu, que até pertence à Comunidade Europeia, mas onde as crianças que estudam nas escolas públicas não têm acesso a alimentação em condições e suficiente.

Neste país, onde o sol brilha muitos dias no ano (É. Não sei quantos ao certo e não me apeteceu ir googlar sobre o tema), onde as pessoas deveriam ter acesso ao mínimo, tal como consta na Constituição (Sim, este país tem uma constituição, apesar de às vezes parecer que não), para a sua sobrevivência, as crianças que estudam na escola pública (Sei que não acontece em todas mas está a acontecer em demasiadas. Uma já seria demasiado), sim o ensino é um direito num país civilizado, não têm direito ao mais básico para a sobrevivência da espécie humana (E de qualquer outro animal): A Alimentação.

Dá-se o caso de, neste belo país, onde se discutem m***d**s e há revoltas e revoluções (todas elas virtuais, é certo) por cenas de cocó, há uma aparente apatia perante almoços servidos às nossas crianças de rissóis crus (Crus, pessoas! Não estavam mal passados, estavam crus. Nem foram à frigideira, nem ao forno. Nada!), uma batata com meia posta de um peixe por identificar, lagartas na única folha de alface do prato, um suposto bacalhau meio cru e a saber a detergente... E ninguém faz nada!!! Há semanas que se lê sobre o tema, principalmente nas redes sociais, e ainda não houve cabeças a rolar. A comida (não se pode chamar aquilo de comida, pois a comida tem de ser comestível), as cenas que são colocadas nos pratos das crianças para que elas comam, continua a ser servida da mesma maneira, sem o mínimo de equilíbrio, qualidade e quantidade.

Tenho lido, também nas redes sociais, que há cada vez menos crianças a almoçar nas escolas. Os pais optam por lhes enviar comida de casa, dar-lhes dinheiro para almoçarem no bar ou fora da escola. Muito bonito, sim senhor. É uma solução? Não, não é! Há crianças cujos pais não têm dinheiro nem condições para lhes proporcionarem alternativas à alimentação da escola. Há crianças cuja única refeição quente e em condições a que têm acesso durante o dia é o almoço da escola.

Ah e tal a responsabilidade não é das escolas, nem das câmaras, nem do governo, nem do raio... A responsabilidade é das empresas que ganharam os concursos públicos para fornecerem as escolas. Ahhh! Assim, está bem! Assim já ficamos todos mais descansados... Uma porra é o que é! Então e a responsabilidade das escolas, nas figuras do directores, que estão a levantar processos disciplinares aos alunos que fotografam a comida para poderem denunciar? Não deveriam as escolas estar ao lado dos alunos nesta luta? Mas afinal quem é que está aqui a ganhar? Ou, neste caso, a perder? Há escolas a proibirem os alunos de levarem telemóveis para o refeitório!... Meus amigos, estamos num país de 1º mundo, em pleno séc. XXI... Não estamos na Coreia do Norte, nem em qualquer outro país que abre telejornais devido à privação de liberdade do seu povo. Estamos em Portugal, um país que saiu de uma ditadura há muito pouco tempo e que, das duas uma, ou já se esqueceu ou ainda traz memórias enraizadas de como a censura se faz.

Ainda não vi, posso andar a ver mal, verdade, mas não me recordo das entidades incompetentes competentes se terem pronunciado sobre este tema e sobre as soluções para o mesmo. Quem andará a ganhar com isto? Alguém andará com certeza, um país de chicos espertos não se pauta pela simples incompetência (esta serve apenas e demasiadas muitas vezes para camuflar os ganhos).

Os directores de turma (coitados, aqueles que levam com os pais e que nada podem fazer em relação ao tema), ouvem as queixas dos encarregados de educação e respondem: Pois, eu não sei... Eu não como a comida da escola! - Pudera! Nem de graça!

A mini aspirante a marquesa (a minha mai' nova) leva comida de casa quando tem de almoçar na escola, mas já me descreveu aquilo que vê os colegas comerem. E sim, é intragável. E sim, ela tem colegas que comem todos os dias na escola, mesmo quando não têm aulas à tarde. Relembro que, muitas vezes é a única refeição que algumas crianças  têm. 

 

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