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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Médicos... e um longo caminho a percorrer...

Médicos... médicos... Não querendo generalizar, até porque conheço médicos fantásticos, infelizmente sempre ao nível das relações pessoais e muito poucos ao nível das relações profissionais, são seres que nós, pessoas em geral e sociedade em particular (ou ao contrário, como queiram), tendemos a endeusar. Falo por mim, eu sei que eles são pessoas, mas também são médicos e os médicos sabem tudo... ou não! 

 

Eu andei anos, sim, anos a queixar-me aos médicos... Até que comecei a ter vergonha de me queixar... "Se calhar és só hipocondríaca! Se o Sr. Doutor diz que não tens nada é porque não tens. Vai lá masé para casa sugadita e deixa os senhores doutores trabalharem que têm muito que fazer." E pronto assim se foram passando os anos. Ia ao médico fazer as análises de rotina, os exames normais e deixei de me queixar, afinal o diagnóstico era sempre o mesmo: "Stress, ansiedade, falta de exercício físico, blá, blá, blá..." que é como quem diz: "Ó maluquinha desampara a loja, toma um xanax que isso passa", logo eu que "adoro" comprimidos e medicamentos (só que não!).

 

Certo dia, lá pelo longínquo ano de... ora deixa lá fazer as contas, 2012 prái, numas análises de rotina descobriram uma cena... Uma cena que podia ser cancro. Uns indicadores malucos, qualquer coisa relacionada com proteína (como vêem eu não sou hipocondríaca, apesar de ter andado anos a julgar que sim, não faço porra de ideia o que são e como se chamam as doenças, os exames, etc e tal) e lá andei eu, exames, análises, oncologista (eu cheiinha de miaúfa, pois claro) e nada! Tudo inconclusivo. "E queixas tem?", "Para além das habituais, nada de novo", "Humm... então venha cá daqui a uns meses para fazermos novos exames". Não meti lá mais os pézinhos (típico de um hipocondríaco mas ao contrário, como vêem).

 

Vai que este ano o meu médico foi substituído e lá vou eu à nova médica que, graças aos santos, anjos e todas as forças que existem e não existem, não olhou para trás, nem deitou um olhinho ao processo e fez-me uma consulta como se eu nunca tivesse ido ao médico. E eu, a medo, confesso, lá ia dizendo "Ah! Esqueci-me mas também me dói um bocadinho as articulações das mãos e joelhos"... "E também sinto dormência nos dedos"... E ela perguntava coisas e eu "Ah... Acho que sim, também sinto isso!..." Sempre com muito medo, não queria ouvir de novo o diagnóstico tão meu conhecido: stress, ansiedade, falta de exercício físico... Que é como quem diz: maluquinha!

Mas não, desta vez o diagnóstico não foi esse. Mandou-me ao reumatologista que, após exames, após ver o resultado das análises antigas, as tais da proteína, disse que essas análises eram indicativas do que eu tinha, algo que nunca foi investigado e cujos sintomas foram sempre e sucessivamente desvalorizados.

 

Não é fácil receber um diagnóstico de doença crónica, saber que vou viver toda a vida com ela e com estes sintomas que me consomem, mas foi um alívio dar um nome ao que eu sentia há muito tempo. Deixar de ser "maluquinha", hipocondríaca ou preguiçosa, foi um alívio enorme. Noutro post falar-vos-ei sobre isto.

Seria muito bom que os médicos, no meio da sua sabedoria, que não questiono, antes pelo contrário, passassem a olhar para as pessoas como elas são: pessoas. Que mesmo que os seus sintomas sejam produção da sua cabeça devem ser valorizados, já que uma cabeça que produz sintomas precisa de ajuda. Os médicos devem saber encaminhar e não julgar quem têm à sua frente. 

 

Ainda hoje, mesmo sabendo que a minha médica me ouve (já do reumatologista não posso dizer o mesmo, estou-lhe grata pelo diagnóstico mas sinto-me completamente perdida no processo - bendita internet que me tem esclarecido) ainda tenho muitas dificuldades em dizer o que sinto, tenho muito medo de ser julgada. Eu não sou "maluquinha", nem nenhuma pessoa que consulta um médico. Nenhum sintoma deve ser desvalorizado! Nenhuma pessoa deve ser desvalorizada!

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