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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

O ensino no seu melhor...

O nosso ensino, ao contrário do Rock, está morto... Morto, a cheirar mal e não há meio de o enterrarem.

Não gosto, nunca gostei e não é agora que vou gostar, de puxar de galões, até porque muitas vezes eles dizem pouco. Mas desta vez vou fazê-lo, escrevo-vos como cidadã, mãe e como socióloga com especialização em criminalidade, toxicodependência e insucesso escolar. Faço-o porque estou farta! Farta de ter pessoas engravatadas, intitulando-se de ministras, a fazer m***d**a. Desculpem o meu francês, mas não há como dizê-lo de outra forma.

Andamos, como diria a minha avó, "desde o tempo da outra senhora", que é como quem diz, vai "pralá" de 45 anos, mais coisa menos coisa, como o mesmo tipo de ensino. Vai-se alterando a escolaridade obrigatória e mais nada. Já pensaram estas almas em ouvir quem sabe do tema? Psicólogos, Sociólogos, Pedagogos, Professores.... Não sei, digo eu de minha profunda ignorância...

Estou cansada, e vejo que as nossas crianças estão a ser usadas, abusadas e maltratadas por um ensino obsoleto, incapaz de as acompanhar, integrar, ensinar (básico, não? É para isso que ele deveria servir, não? O ensino deveria servir para ensinar... Penso eu, que nada sei!), motivar, proteger, fazer crescer, preparar... Mas não! Estamos longe disso!

Não me querendo alongar muito, pois teríamos conversa para um congresso, mas limitando-me ao básico, aquilo que qualquer avó com o ensino mínimo percebe, as idades, os anos escolares, as turmas...

Passo a explicar, ontem, no final do 1º Período portanto, entrou para a turma da minha filha mais nova um elemento novo. Ora, até aqui nada de especial. Acontece que o elemento novo tem 17 anos e foi agora integrado numa turma de miúdos do 7º ano, quem têm entre 11 e 12 anos... Isto porquê? Porque este país tem uma escolaridade obrigatória e aquele elemento de 17 anos tem de estar na escola até ter 18 anos ou até ter o 9º ano...

Portanto, posto isto, poderão os iluminados que fazem estas leis explicar-me, como se eu fosse muito burra, daquelas tão burras que não percebem nada, nem com um desenho, qual a vantagem disto?

Quem tira vantagem desta situação? Não serão os miúdos, certamente. Nem os que têm 12 anos, nem os que têm 17 anos...

Como se consegue ter uma turma sã, equilibrada, motivada, com vontade de saber e de aprender se temos, entre os elementos que a compõem diferenças de idades de 5 e 6 anos? Estamos a falar de estados de maturidade completamente diferentes, meus senhores.

Como esperam estes senhores, que um miúdo (ou miúda) de 17 anos tenha sucesso escolar, esteja motivado e interessado quando está sozinho integrado numa turma com putos de 12 anos?... Este jovem, está a aguardar fazer os 18 anos para abandonar a escola. Alguém tem dúvidas? De quê que adianta obrigar estas pessoas a estudar nestas condições?

A minha filha está espantada, admirada, não faz a mais pálida ideia do porquê daquela alma ter ido ali parar, não houve qualquer explicação, simplesmente apareceu um novo elemento na turma, e é-lhe dito, ao novo elemento, para não responder às perguntas feitas para a turma porque o raciocínio dele é muito mais rápido (a lógica da batata aqui tão bem aplicada) e os meninos de 11 e 12 anos precisam de mais tempo para incorporar o conhecimento e elaborar determinado raciocínio... Eh pá, mas não é preciso ser um génio para perceber isto, certo? Aparentemente os ministros que mandam nesta bandalheira (desculpem, infelizmente é o que ensino neste país é) ainda não atingiram o estado de maturidade que lhes permita tamanha iluminação... Pergunto novamente, quem é o beneficiado? Os miúdos de 12 anos não são, certamente e ainda menos o será o elemento de 17 anos ali a marcar passo a não poder participar nas aulas, a fazer figura de corpo presente...

Mas isto faz algum sentido?

Existe um agrupamento de escolas neste país, em Carcavelos salvo o erro, que tem um sistema de ensino legal, completamente enquadrado com as regras do ministério mas totalmente diferente do resto do país. Li uma entrevista com o director em que ele dizia que ali ninguém chumbava, também não havia abébias, há pelo contrário compromisso, responsabilização, envolvimento, e porquê? Exactamente por causa disto, para não existirem turmas destas que poderão ser, mais cedo ou mais tarde problemáticas... Os miúdos perceberam que chumbar significava ficar para trás, passaram a aplicar-se, a escola passou a apoiar quem tinha dificuldades para não ter de enfrentar o chumbo porque, segundo este director (e bem) o chumbo é potenciador de marginalização, de criminalidade e comportamentos desviantes e nunca, mas nunca, traz uma mais valia às turmas. Pelo contrário, é uma bola de neve sem fim...

Pergunta simples e directa: Onde é que esta gente anda com a cabeça para achar uma ideia vencedora ter uma turma com miúdos de 12 anos misturada com miúdos de 17? Um miúdo de 17 anos é um adulto com comportamentos infantis; Um miúdo de 12 anos é uma criança a achar que é adulta... Uma mistura explosiva!

Está tudo doido, meus senhores!

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