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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Esqueçam a mesa da Georgina

Ontem tive bastante dificuldade ao nível de dormir... detesto não dormir e desperdiçar tempo acordada durante a noite quando dormir é uma actividade tão prazerosa... raisparta! Mas, volta e meia, mesmo uma marquesa tem de se dar a estes desvarios do povo e ter insónias... maldição para quem as inventou!... quando vos disserem que a natureza é perfeita lembrem-se de quem inventou as insónias... bandida!

Bem, dizia eu, enquanto me virava na cama de um lado para o outro, o meu cérebro resolveu viajar e eu deixei-o ir, ao menos alguém que se divirta numa noite de insónias, não é verdade? Vai daí foi-se alojar e reviver um longínquo tempo em que eu trabalhava por conta de outrem... mais concretamente num episódio de que a minha psicóloga me lembra (sim, ainda ando na psicóloga!... eu já vos avisei que tenho uma falhinha...) sempre que eu acho que sou uma incapaz (o que se dá com bastante frequência, devo dizer-vos).

Ora, quando eu trabalhava por conta de outras ´ssoas, vivi naquela empresa uma dicotomia (sim, eu também sei palavras caras... ou médias, vá!) emocional, e eles também. Ora precisavam de mim, ora corriam comigo. Vivemos assim, uma relação próxima da toxicidade, durante uns 12 ou 13 anos... ou mais, já nem sei!... numa das vezes que me dispensaram, os astros não dormem, arranjaram para me substituir uma gaiata (nunca a conheci mas era mesmo uma gaiata e já vão perceber porquê) que um dia, em plena organização de um mega evento, deu ghost (como dizem as minhas filhas)... mas o que é isso de dar ghost, oh Marquesa de nuestras vidas?... saiu do escritório ao final do dia e não mais voltou!... não telefonou, não apareceu, nada!... Depois de muito se procurar pela cachopa, até no Facebook (ainda um bebé na altura) se andou, lá se conseguiu chegar à fala com a mãe que disse que, sim senhora, a gaiata estava viva e de boa saúde mas não queria voltar a trabalhar ali... Ah, era uma má empresa, é isso? Não, não era! Era uma empresa com excelente ambiente, que ainda lhe pediu que ela lá fosse assinar uns documentos e receber o cheque, com pessoas espectaculares, trabalho frenético e de muita responsabilidade e com um director que ora me amava ora me dispensava... Mas ainda hoje falo com toda a gente, sou amiga de todos, mesmo do director. Posto este cenário, lá uma das directoras (era sempre a ela que lhe cabia este papel) telefona-me a pedir se eu podia tomar conta deste projecto e a explicar-me o que tinha acontecido. E eu que sim senhora, vamos a isso!

Lá chego eu à empresa, e passava-se que eu ia ser totalmente responsável por organizar uma reunião internacional, com cerca de 100 pessoas (ou mais, já não me recordo bem da quantidade, eram muitas!) em Portugal. Ora isto implicava biliões de cenas (não estou nada a exagerar, não minervem, catano!), desde estadia para esta malta toda, com local para formações, jantares, almoços, camionetas, jantar de gala, entretenimento paras as famílias que traziam com elas... todos de origem hispânica... de todos os países que foram ex-colónias de Espanha e também pessoas da própria Espanha. Era um bale, bale por ali fora que vocês sabem lá...

E agora perguntam vocês, em uníssono, claro! : E nós com isso?!?! Que história mais chata é esta?!?

E eu, que sou moça educada e empática digo-vos: Não gostam não leiam! Raisparta!... Mentira!... digo, que sim!, têm razão... mas eu escrevo o-queu-quiser-e-ninguém-manda-em-mim!

Bem, depois de muito labutar, de ter tudo organizadinho, de abalarmos todos a cantar e a dançar, após a recolha de toda a malta no aeroporto a chegarem a horas diferentes e o caneco, lá fomos para o local de eleição que... era nada mais nada menos do que o palácio onde a minha avó viveu! Vero! Aquilo, o palácio, hoje é um hotel de luxo e eu chego lá, toda lampeira, recebo a malta toda, instalo a malta toda, ando tipo barata tonta, mas com um ar de marquesa mega profissional, oh caneco!, de quem tem tudo sob controlo!... e... este foi o momento alto do dia!... não!, da organização!... Não!, do evento!... Não!, da minha vida!

Então, estava eu num corre, corre quando a pessoa, que estava a trabalhar comigo na organização mas da parte do hotel, vem ter comigo e diz: Dótóra Marquesa, hoje reunião às 17h! Bale?... e eu que sim, senhora! Eu sou lá de dizer que não a uma reunião!... até porque eu estava em modo carro telecomandado, digam que eu faço! É para esquerda?!... 'bora lá então!...

Às 17h lá fui eu... toda catita, caderno debaixo do braço esquerdo, dossier debaixo do braço direito, blazer, camisa... e entro na sala... e foi aí que a minha alma se me escapa do corpo, assim, num abandono pleno e sem dó nem piedade, ainda apresentei queixa na Associação dos Corpos Abandonados pelas Almas, mas de nada me valeu! Ela bazou e só voltou no final da reunião e depois de tomar as devidas gotas e precauções.

Estão a ver a mesa da Armani que a Georgina queria por à venda no OLX por 10.000 euros?... esqueçam!!! A mesa da Georgina a comparar com aquela era uma mesinha de chá!... Não estão bem a ver, senhores!! Uma mesa retangular gigante, brilhante, luzidia, benzadeus a desgraçada da 'ssoa que tem de polir a dita! Muita coragem nessa hora!.... bem, dizia eu!, uma mesa enorme, e vai de me sentarem na cabeceira e à minha volta era todo um acontecimento... eu pus o meu sorriso 33 e alguém começa a falar:

- Boa tarde, bem-vinda (sim, separado se não era a senhora Benvinda e ela não quis estar presente!) ao nosso hotel!, eu sou fulano, director geral do hotel (e eu, como disse?!?!... director geral?!?... ai o caneco! Já fiz merda e vou presa!), ao seu lado esquerdo está o Gerente de Dia, a seguir o Gerente de Noite, a seguir o Director(a) de Catering, Director(a) Financeiro, Director(a) de Segurança, Chefe de Cozinha, Chefe de Sala, Responsável pelas Salas e Formação, Director do Departamento de Informática, Responsável de Recepção, Responsável pela Organização de Eventos, Responsável pela Limpeza... e mais uma data de gente que o meu cérebro, gentilmente, não processou. Com isto passam-me para as mão um telemóvel para uso interno com contactos directos para todos eles, 24h por dia!... Eu agradeci, mantive o sorriso e o ar de que aquilo era o meu dia-a-dia, e ralhei com eles... houve uma falha gigante da parte deles que, sem aviso prévio, não nos dispuseram todos os quartos que tínhamos reservado e enviaram uma série de pessoas para outro hotel perto mas de 4 estrelas... perguntei como iriam resolver a situação. O Director do Hotel disse que tinha tido conhecimento disso antes da reunião e que já tinha solicitado a conta ao outro hotel, que eles a assumiriam, e já tinham quartos para todas as pessoas que tinham ficado no outro hotel na noite anterior. Baixou em mim a marquesa orgulhosa de si, não há nada como subir nos nossos sapatos e desatar a expor o nosso descontentamento numa mesa de milhares de euros, polida, em frente de todas aquelas pessoas importantes que já se tinham apresentado à vez e feito perguntas como, alergias alimentares, joias para guardar no cofre, medidas excepcionais de segurança, etc, etc..., com uma série de par de olhos em cima de nós!...

Saí dali e, para além de um riso hipnótico e cara de Chucky, adquiri tiques nervosos e ameaças de avc... mas tinha um telefone para comunicação interna, caneco! Raisparta, que pessoa mais importante no mundo, do que eu, naquele momento, não havia. Cheguei ao quarto e faleci... depois ressuscitei, mas naquele momento faleci. E fiquei com diarreia também! Catano que devia haver seguro para isto! Agora estava rica! Foram 4 dias de trabalho louco, intenso e muito compensador. Correu tudo maravilhosamente, se esquecermos os momentos em que Marquesa foi Marquesa e meteu os pés pelas mãos... O que interessa é que no fim fui parabenizada, o meu nome fez parte de discursos, passei a tomar mais gotas pós nerves do que era costume e nunca mais fui a mesma! 

Ps. Após este serviço espectacular que prestei, com parabéns oficiais dados pelos clientes estrangeiros, e logo após o último almoço, entrei no comboio para Coimbra ver U2 e no dia seguinte embarquei num cruzeiro e deparei-me com uma tempestade no Atlântico Norte!... momentos na vida da vossa Marquesa favorita... fica para outro dia!

Porcelana e rissóis

Hoje uma das minhas avós faria anos... se fosse viva faria mais de 100...

Foi dela que herdei a realeza. Pessoa de "boas famílias", seja lá o que isso for, ela sim, viveu num palácio! Um palácio a sério, daqueles com igreja dentro e tudo, um palácio sem princesas mas com nobreza. Um palácio que já foi palco de filmes e novelas, que eu via com a minha avó, em sua casa, e testemunhava a sua mais profunda tristeza por já não viver lá e por este ter mudado de mãos. Curioso que, anos mais tarde, por mais do que uma vez, a minha profissão já me levou a tal palácio, até já lá pernoitei. 

Há muitos, muitos anos, as mulheres não podiam herdar propriedade agrícola, e aquele palácio assim era considerado. Ficou tudo para o meu tio avô que depressa tudo perdeu.

A minha avó, para quem gosta e entende de signos, era uma aquariana pura. A pessoa que fazia tudo ao contrário do que era suposto. De uma boa disposição, com um sentido de humor, com um conhecimento e cultura enormes. Enquanto os seus irmãos escolheram desportos dignos de meninos que viviam num palácio, a minha avó foi jogar hóquei. Vero! Foi guarda-redes da selecção feminina de hóquei. Ainda há fotos dela por aí nas paredes dos clubes e federação. Estudou até ao 12º ano, nunca aprendeu a tocar piano, mas dançava e batucava numa pandeireta como só ela, estudou num excelente colégio e teve professores em casa e um ror de empregados. Andava, segundo ela, de bicicleta dentro de casa o que enlouquecia a minha bisavó e os empregados. Pregava partidas a toda a gente e estava proibida de comparecer aos jantares e festas que os meus bisavós davam... ela não só arranjava maneira de comparecer (nem que fosse com a farda roubada a uma empregada) como de fazer uma asneira ou outra que punha muitos a rir e alguns a espumar...

A minha avó conheceu presidentes da república, em Portugal e no estrangeiro. Foi recebida no Palácio de Belém numa cerimónia privada do presidente da altura e sua mulher. Claro que a primeira coisa que fez quando saiu de lá foi contar-nos tudo, a rir e a sonhar com todos os disparates que queria ter feito mas conteve-se. Ela sabia mesmo estar... quando queria!... A minha avó saiu dos banquetes e rumou, religiosamente, todos os anos, para a festa do avante. A minha avó casou, teve 4 filhas, 6 netos e, já não tendo eles o privilégio de a conhecer, nenhum deles, 8 bisnetos.

A minha avó tinha um doce coração, era muito liberal, para a altura, aparentemente despreocupada com as filhas, a quem dava responsabilidade e elas que se amanhassem (Aquário, lá está!), fazia de tudo para fazer rir os netos, para os fazer felizes. O meu pai, seu ex-genro, ainda hoje diz que ela foi a melhor pessoa que ele já conheceu, um pouco aluada da cabeça mas excelente pessoa.

A minha avó era uma aquariana pura, daquelas que faz mesmo tudo ao contrário do que é suposto. Quando educou as filhas, no seu aparente amanhem-se, ensinou-as a estar, a falar, a pegar em talheres, a cortar fruta com garfo e faca. A minha avó achava-se feia, e achava que o meu avô era bonito. Para lhe fazer ciúmes, quando iam na rua de braço dado, ela posicionava-se ligeiramente atrás e, cada vez que passavam por alguém, ela fazia caretas, naturalmente as pessoas olhavam, sorriam-lhe e viravam-se para trás. Ela, orgulhosa ouvia o meu avô dizer-lhe, toda a gente olha para ti, pela tua beleza.

A minha avó fazia os melhores rissóis do mundo, o melhor bolo do universo, passava horas a fazer-me festas nas costas e a contar histórias da sua vida passada. A minha avó teve uma educação esmerada mas era comunista. A primeira vez que andei de avião na minha vida foi com ela, 14 horas de viagem, eu e ela, sozinhas. Eu criança e ela a comportar-se como se fosse, a rir e a fazer-me rir, a contar-me histórias para me distrair, a pintar e fazer desenhos comigo, a segurar-me a cabeça quando eu vomitei em pleno voo.

A minha avó levava-nos, a mim e às minhas primas, a lanchar às casas enormes das suas primas e tias. Era servido o chá em louça de porcelana, biscoitos estavam à disposição na mesa, tínhamos de estar direitas na mesa, saber pegar na chávena, usar os talheres e não falar a não ser quando nos perguntavam alguma coisa... ela olhava para nós de soslaio (olhem escrevi outra vez esta palavra!... viva eu!) quando estávamos a fazer mal, de repente dava-nos uma beliscão de baixo da mesa e enchia-nos os bolsos de biscoitos, sem que ninguém visse, sorria para nós e às vezes desatava a rir para incómodo da tia ou prima que nos recebia e não percebia o motivo... mas nós não podíamos perder a compostura. Havia uma prima que tinha uma casa tão grande que, quando eu e uma das minhas primas fomos à casa de banho, perdemo-nos. Ela, sabendo-nos perdidas, e sabendo que a casa tinha passagens de umas assoalhadas para as outras, por ali andava a fingir desespero que estávamos perdidas para sempre e que tínhamos de lá ficar a viver, nós a ouvirmos a tentar chegar a alguém e ela a fugir, a gozar connosco... salvámo-nos quando chegámos à cozinha e as empregadas, a rirem por já saberem o que se passava, nos levaram para o jardim para irmos ter com a minha avó que ria muito quando nos viu.

A minha avó já morreu há mais de 30 anos e ainda hoje eu sonho que ela afinal está viva. Hoje faria anos e onde ela estiver há, com toda a certeza, um belo bolo, música e danças, risos e partidas, chá em chávenas de porcelana tomado no chão de terra ao som de Grândola Vila Morena, fará um brinde com um qualquer rei e com Che Guevara.

Tenho saudades dela, não tivemos tempo para que me contasse todas as suas histórias, que eu ouvia deliciada.

A minha avó não era estouvada da cabeça, como muitos achavam, era aquariana, uma mulher muito, mas muito à frente no tempo, que a maioria não compreendia e por isso etiquetava de "aluada", ela era uma mulher moderna, liberal, que viveu fora do seu tempo. Se fosse hoje estaria mais enquadrada mas mesmo assim seria muito à frente.

Parabéns Avó!

Insistir, insistir até conseguir!

Insistir, insistir até conseguir... e nunca desistir!!! 

2 anos depois e com muitos testes realizados, com tudo à nossa volta a cair que nem tordos ao nível da positividade, eis que hoje a Vossa Marquesa favorita de todos os tempos testa positivo à Covid 19 (e façam um favor ao Sr. Camões, à língua portuguesa e principalmente a vocês mesmo e PAREM de tratar a Covid como se ela fosse um gajo! Gajas ao poder, bale? A Covid e não "o" Covid!... como estou com vagar, eu explico. O vírus, Coronavírus, é responsável pela doença Covid 19, então se é uma doença é feminino. Estamos de acordo? Boa! Eu sei que vocês sabem, mas é para aqueles que vieram aqui pela primeira vez e não sabem, ou se esquecem, como as minhas ricas filhas.).

Ah e tal, mas isso de testar positivo à Covid 19 já não é novidade para ninguém... novidade agora é testar negativo!, dizem vocês e com razão! Não fosse dar-se o caso de eu não sair de casa há uma semana e ser a única positiva cá em casa!  Raisparta!

Os sintomas são poucos, graçazadeus!, mas dá a moinha e só se está bem na cama. Até agora não tenho febre e o que tenho é comichão na garganta, moinha na cabeça, frio comó catano, pouco apetite, sede, algumas dores no corpo, alguns pingos no nariz (mas nada de ranhosises que eu não sou ranhosa, bale?)... estou esperançada que não passe disto, até porque já tenho a 3ª dose da vacina e estou em crer que é responsável pelos poucos sintomas.

Agora estou há mais de uma hora (e, pelos relatos que ouço por aí, ainda nem a meio da cruzada vou) à espera que atendam da Saúde24... caneco! Por isso estou com vagar para conversar convosco. Na net dizem que quem fez teste na farmácia não necessita ligar para a Saúde24 mas... em nenhum site oficial diz isso, só nos jornais. Na farmácia disseram que preciso ligar...  Vá-se lá entender!... Eu quero muito falar com eles porque anseio que esta malta cá de casa vá fazer o PCR... o bicho não trepou paredes para se instalar no meu belo organismo (eu sei que sou uma tentação mas a Covid não é montanhista!), vai daí algum deles trouxe o bicho, apesar de terem testado negativo. 2 deles no teste da farmácia e a Aspirante Mai'Nova no autoteste caseiro, claro que ela já esgotou todos os testes que podia fazer na farmácia. Eu avisei-vos que ela é a rainha dos testes! 

É nestes momentos que tenho pena de não ser uma mega influencer para as marcas virem cá entregar bolos incríveis, chocolates, pasteis de nata, comida feita e boa, e tudo e tudo... sou uma pelintra que se quer comer que vá à cozinha, de máscara, e a gritar, como a realeza: Arrêt, Arrêt que ou vou passar! 

Agora vejam lá se são fofos comigo e me tratam com carinho, bale? E se quiserem enviar acepipes aqui para o palácio não se acanhem! 

Os Astros Mandaram!

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Está aí alguém?!?... Das duas pessoas que costumam ler-me será que alguma se mantém?!?...

Bem, ando a olhar para o meu blog diariamente... olho de soslaio (ai, caneco!, sempre quis escrever esta palavra e nunca tinha tido oportunidade!!!... é desta que me torno uma escritora de excelência!!!) para ele, e sigo a minha vida como se não o tivesse visto!... e porquê?, perguntam vocês a revirar ojólhinhos!... porque sim! Porque não! Porque não sei!

Hoje, como sempre, enquanto acompanho o meu petit-déjeuner (podem ir ao Google Tradutor... não comecem já a abusar que eu ainda agora cheguei) vejo portais de notícias (e até leio algumas notícias, vejam só o elevado grau de literacia que para aqui vai, catano!), vai daí, boto os olhos nas previsões do meu signo para hoje, os astros mandaram-me escrever, oh menos!... sim, estava lá escrito: Vai escrever, oh menos!. Eu, obediente que sou, aqui estou! A escrever!... a dizer nada que seja interessante mas a escrever!

Podia-vos falar da bimba (Bimby) que está armada em parva e coiso e não está a funcionar em condições... raisparta! Era um tema interessante não fosse eu enervar-me dos nervos com o assunto e atirar a ingrata pela janela e depois podia aleijar alguém. E eu sou da paz!

Podia-vos falar de sermos um caso raro, até ver, de uma família de 4 que ainda não apanhou Covid. Mas depois vinham aí as televisões a querer entrevistas, câmaras a perseguirem-nos, a perguntar o que tínhamos almoçado, o número dos nossos sapatos, e vocês sabem que sou moça tímida. 

Podia-vos falar das 4568863982392309 vezes que a Aspirante mai'nova achou que estava com Covid (tenho para mim que um dia há-de acertar, mas quem sou eu?!) e dos milhões de euros (não estou nada a exagerar, não minervem, caneco!) que já gastei em testes rápidos. Que ricas férias eu faria com esses euros!

Podia-vos falar da Diaba que, continua, igual a ela mesma como se não houvesse uma pandemia no mundo, como se não estivesse um frio ducaneco, como se a vida corresse normal... a ver bem, para ela, a vida está sempre na mesma... raisparta!, continua a ir à rua as vezes habituais, a comer a horas certas, a ladrar a todas as pessoas que com ela de cruzam, a dormir o dia todo e isto sem ter de se incomodar com nada... 

Podia-vos falar da verdadeira feira de cenas que os meus vizinhos montaram na garagem mas não saberia por onde começar... 

Mas não vou fazer nada disso!... vim só mesmo aqui porque os astros mandaram... não que eu acredite, ou se calhar até acredito, mas pelo sim, pelo não... já aqui vim debitar palavras e já escrevi soslaio! Já estou feliz! E assim não enervo os astros que toda a gente sabe que astros enervados são de evitar!

Gostei de vos ver, 'soas mai'lindas de vossa Marquesa 

Ps. Estou bem, obrigada! Apenas com uma preguiça para tudo e para a vida em geral! Obrigada por perguntarem!

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Bom Ano, 'Soas Mai'Lindas!!!

Um minuto de silêncio, por favor.

Não sei quanto a vocês mas eu tenho andado bastante ocupada... a fazer merda, basicamente!, que é coisa que eu faço bastante bem, até.... temos de ser fortes nalguma coisa, não é verdade?!... pois eu é a  fazer merda, não literalmente porque para isso necessito de ajuda de fibras e café e o catano... porcaria, disparates, coisas que não só não correm bem como correm mesmo muito mal, até!... raisparta!... mas porquê, Marquesa da vida das 'ssoas mai'lindas, que não ficas sossegadita no teu canto a fazer coisas normais como as outras pessoas?... tipo ler, ver televisão, tirar macacos do nariz... cenas... Não!!!... isso é para pessoas com juízo e juízo é cena que não me assiste!... raisparta!, já disse?

Então tentem lá adivinhar o que a Vossa Marquesa favorita resolveu fazer desta vez?!?!...

Isto de ser pobre é uma miséria, é o que é!... só vos digo que seria bastante mais feliz com toneladas de euros no banco, ou debaixo do colchão que eu não sou esquisita. Mas não... sou uma rica pessoa mas pessoa pouco rica... raisparta! Não é que ser pobre tolde as ideias das pessoas em geral, só as minhas mesmo!... e depois faço merda!... já disse?!

Eu sei que vocês estão em pulgas para saber o que eu fiz, mas se eu vos contar já escangalham-se a rir, são capazes de ter uma paralisia facial de tanto gargalhar e depois não lêem tudo até ao fim e eu preciso de desabafar, por isso fiquem aí!... os amigos são para estas coisas, atão!!!

Aqui a 'ssoa, sim uma Marquesa também é uma 'ssoa e tem sentimentos... não tem juízo mas tem sentimentos, catano!, está falida e como está falida não tem cheta, pilim, baguço, o camandro, para ir ao cabeleireiro... como está farta de gastar dinheiro em cabeleireiros rascas, daqueles que ainda fica pior o cabelo do o que estava, resolveu ir a um "como deve de ser", seja lá o que isso for... o que é um facto é que o cabelo ficou tão incrível, tão espectacular, a experiência foi maravilhosa e agora voltar a um cabeleireiro rasca é que "tá quieto, oh mau!"... acontece que quando lá fui larguei lá todas as minhas poupanças (que também não eram muitas visto que eu sou pobre, como bem sabeis)... dá-se o caso de já se ter passado quase 1 ano desde o acontecimento e de eu, a fina, me recusar a voltar a botar um dedo mindinho num cabeleireiro qualquer... só vou a bons!!! Mas para isso preciso de ir novamente às poupanças e como só passou 1 ano, ainda não há poupanças que cheguem!... já vos disse que vida de pobre é uma miséria, não já?...

Vai daí que o meu rico cabelo gritava por clemência, guinchava por umas raízes novas, bota lá tinta nisso, masé, e por uma belo corte... então, a Vossa Marquesa favorita pensou, ora se o cabeleireiro rasca se safa, eu também me safo!.... se bem pensou melhor fez... quer dizer, melhor é como quem diz...

Hoje, confiançuda, inchada de auto-confiança, resolvi o quê?!?... o quê?!?!... perguntam vocês... cortar o cabelo a mim própria!!!!!!!  

Ainda aí estão?!?... Vá têm autorização para rir!!!... eu só volto a sair de casa quando, das duas uma, tiver dinheiro para ir ao cabeleireiro, o cabelo tiver crescido... para crescer ainda vai faltar bastante tempo que eu já estive a fazer contas!... ah esperem... eu sou pobre, raisparta!, tenho de sair para ir trabalhar... talvez vá assim !

Estou a ponderar um peditório, afinal uma Marquesa não se pode apresentar de qualquer maneira!...

Oh senhores, mas porquê que eu não fico quieta e sossegada no sofá a tirar macacos do nariz... 

Façamos todos um minuto de silêncio pelo meu cabelo e um ano de silêncio pelos meus neurónios falecidos!...

 

Voltei!!!! E... Magoei!!!!

Olá 'Soas fofinhas e queridas e tuditudo!!!!!

Desta vez não se limitaram a chorar a minha ausência... nada disso! Desta vez recebi emails, desafios (2, caneco!), sms e telefonemas (mentira!!! Apenas porque não sabem o meu número) e até o Primeiro Ministro vai falar ao país!... também não era preciso tanto, caneco!... Bastava um emailzito que ficavam logo a saber que estou viva e de boa saúde (maisómenos)...

Ãh?!?!... como assim o PM não vai falar ao país por minha causa?... como assim há cenas mais importantes a acontecer no país para além da minha ausência no blog?!?!... está tudo doido ou quê?!... depois admiram-se! Querem que o país anda prá frente e nada.... temos pena!!!

Já me aborreceram com este assunto! Vem uma marquesa toda contente por aí a fora (como assim, por aí onde?!?... vocês hoje estão muito picuinhas!... deixem-me!), a cantar  e a rir, para falar aos seus súbditos e vocês, ingratos, dizem que há coisas mais importantes a acontecer do que a minha ausência!.... 

Magoei!!!... 

Não sei se recuperarei tão cedo!....

Tinha tantas coisas para vos contar... agora olhem, ficam na ignorância!... e não adianta pedirem e chorarem e fazerem abaixo-assinados como é vosso apanágio... magoei sério!!! 

Escusam de continuar por aqui abaixo... não vou escrever mais nada!... novidades, novidades só naquele supermercado que tem nome de grande extensão de terra contínua.

Vá, se pedirem muito... mas mesmo, mesmo, mesmo muito... pelo menos 1 vez, eu pensarei em amanhã, ou depois, vir aqui botar discurso.

 

A minha vida... o capítulo!

Olá, olá, 'ssoas mai'lindas de Vossa Marquesa... sois vós, pois claro!, estavam com saudades minhas, vero? Eu sei, eu sei! Eu bem vos ouvi, em prantos, desesperados por um olá meu!...

Olá!!! 

 

Não, não me fico por aqui!... afinal não me conhecem assim tão bem ou eu não sou tão previsível como parece!... quem aqui chegou agora (ahahhahahhahah!!!!... sou tão fofa eu, com esperanças de novos visitantes!!! aahahhahahahahah!!!!!) vai achar que é tudo maluco... e é! Aqui é tudo maluco mesmo e para entenderem este palácio há que ler tudo de trás prá frente e de frente pra trás!...

Porra! Já me esquecia ao que vinha....

Sei que têm andado com saudades minhas e tal, e que eu ando desaparecida e tal, que sou uma ingrata que nem aos vossos comentários respondo e tal... é tudo verdade, verdadinha e quem mais perde sou eu! Perco porque não escrevo e escrever faz-me bem à alma, perco por não converso convosco e vós sois uns queridos fofinhos que eu adoro, cutchi!, perco porque quanto menos aqui venho menos me leem e menos o Sapo quer saber de mim... esse batráquio ingrato!... antigamente eram destaques todas as semanas, agora nem sabe que eu existo!  Culpa minha, eu sei! E eu que tenho tanto para vos contar... só não sei por onde começar!... ia começar hoje mas entretanto distraí-me na conversa e agora já estou quase no fim do texto e, na verdade, nada disse. Mas a isso vocês também já estão habituados, verdade?

Pois que a minha síndrome, que tem andado tão sossegadita, resolveu dar o ar de sua graça, raisparta!, e com ela trouxe outras maleitas.... raisparta ao cubo, masé! E Vossa Marquesa favorita...  sim, eu, catano!... vocês ainda se distraem mais do que eu... não minervem, catano!  Dizia eu, a Vossa Marquesa favorita (apraz-me saber que vosmecês já sabem quem é!) tem andado pelos locais que mais ama no mundo... médicos! 

Não me entendam mal, eu amo de paixão que os médicos existam e que saibam buéda cenas que mais ninguém entende, excepto o Google que esse sabe tudo, mas... há sempre um mas... detesto que os médicos saibam apenas a só olhar para a sua planilha e não olhem nem para o doente nem para as outras especialidades... é uma merda! Claro que há excepções, e é em busca dessas excepções que eu ando. Já encontrei algumas... já encontrei O oftalmologista que entretanto descobriu cenas e encaminhou-me para uma especialista que está a ser fantástica... apesar de me ter forçado (sim, quase com colete de forças!...  Mentira! Eu sou bem mandada!) a fazer um exame evasivo, com contraste e veias e químicos nas veias e enfermeiros e cenas maradas... depois conto-vos! Mas ambos os dois, como diz o poeta, concordaram e afirmaram, com todos os pontos de exclamação que existem disponíveis no mundo, que eu não posso jamais em tempo algum tomar o medicamento que o reumatologista queria que eu tomasse, e que eu nunca tomei porque nunca entendi para que serve... já vos falei disso, e que me poderia cegar. É um dos efeitos secundários, raro, mas possível de acontecer e eu tenho predisposição* para a doença que provoca a cegueira por isso não o posso tomar. A parte simpática é que, reiterando aquilo que digo e em que acredito, os médicos não trabalham em equipa, veem apenas o que lhes compete, medicam apenas para o que lhes compete, não pedem opinião nem exames complementares de outras especialidades e depois já vão tarde... quem se lixa somos nós.

Pois que tem sido assim a minha vida, médicos, consultas online, presenciais, exames... para a semana mais médicos, análises... raisparta!!! O que vale é que sou linda e maravilhosa, é o que vale!

 

*é um pouco mais do que predisposição mas não me apetece falar disso e ainda estamos em estudos aprofundados com os oftalmologistas!... raisparta!!! Raisparta!... já tinha dito?!... Raisparta!

Mostra lá a tua cara, masé!

Já houve quem me perguntasse o porquê de eu não me identificar... porquê que eu não mostro a minha bela face ao mundo? Porquê que eu não quero que o mundo saiba quem eu sou?...

Em primeiro lugar e para esclarecer já aqui isto tudo e não vos deixar na expectativa, eu não sou famosa! Nem na minha rua, caneco! Só mesmo dentro do meu palácio é que gozo de alguma fama, mas mesmo assim pouca e discutível... não sou figura pública, portanto! Sou um marquesa anónima, dentro do que uma marquesa consegue ser anónima, claro está!

Atão mazatão, porquê que não queres que te conheçam?... Porque depois não teria a mesma liberdade para escrever... vero! Eu trabalho com pessoas, tenho clientes e, para eles, eu sou uma pessoa séria... o que seria se os meus clientes lessem as parvoíces que para aqui escrevo?...

Também perderia a liberdade de escrita se a minha maltinha (família, principalmente!) soubesse o que escrevo...

Por isso, para já, é assim! Quando eu for, finalmente, famosa e ganhar milhões graças a este blog, já não importa nada e posso mostrar a minha bela face ao mundo! Mentira! Não é nada disso! Para já é assim, de futuro logo se vê, bale?

Atão mazatão, e quem é que sabe que tu tens um blogue?!... Atão, sabe o Marquês, as Aspirantes e uma amiga de uma das Aspirantes, que é uma-desbocada-e-não-soube-ficar-calada e contou à amiga!... por causa disso ficou a pão e água durante uma semana!

Nem os meus pais sabem, caneco! O meu pai, mesmo que eu lhe contasse não faria diferença, já que, para ele, eu saber escrever seria uma grande novidade!... é, o meu paizinho tem-me em muito boa conta! Acha que eu sou um génio espectacular, sóquenão!... a minha mãe, como sempre, anda ocupadíssima nos seus afazeres eu não a quero maçar com mais uma tarefa hercúlea de ter de ler um blogue!... blogue que ela iria adorar que eu tivesse e escrevesse, e iria partilhar e mostrar ao mundo, já que, para ela, tudo é fantástico e incrível (excepto as partes em que posso falar dela)... e depois todos ficariam a saber quem eu sou... mas, mais importante do que tudo, se os meus pais soubessem que eu tenho este blogue, este parágrafo não poderia ter sido escrito com a mesma liberdade!... ou melhor, não poderia ter sido escrito sob pena de termos de reunir a família, com a máxima urgência, que estaria sob a ameaça de bomba nuclear... não queremos isso! Não queremos bocados de família de Marqueses de Marvila espalhados pelo mundo... bléach!...

A modos que é isto! Quando eu achar que faz sentido, se um dia achar que faz sentido, eu mostro-vos a minha bela carinha laroca, bale? Para isso têm de me conseguir milhares de seguidores, parcerias, patrocinadores e o catano...  Ainda aí estão a fazer o quê?... corram, masé, a partilhar cumundo este belo blogue! 

Ou, pelo menos, mantenham-se aí... já fico contente! 

Branqueamento!... tema do dia!

Desafio Caixa de Lapis de Cor #11 - Branco

Ai, caneco... raisparta, raisparta eu!!!! Corri, corri e mesmo assim não cheguei a tempo.... os meus lacaios andam numa lazeira, não fazem nenhum e nem capazes foram de me dispensar dos meus afazeres, de dizer, Oh Marquesa, vá lá escrever para as 'ssoas que nós fazemos a cama, que nós vamos à reunião por si... nada!!! Uns calões!... assim, e com grande pena vossa (e minha, vá!), ontem não consegui cumprir com o meu compromisso e vir aqui botar letras, palavras e ideias geniais, em geral! Por isso, aqui estou eu, hoje, linda e fofa, como sempre, para botar faladura...

 

 

Ainda aí estão?!?!.... 

 

Boa!! Sois os maiores!!!

 

 

Ora que a cor desta semana é o branco que, como toda a gente sabe, não é uma cor mas sim a ausência da mesma, ou lá o que é!... a Aspirante mai'nova, e a mai'velha também, é que sabe deste assunto, eu não tenho vagar para me debruçar sobre reflexões filosóficas se o branco é cor ou ausência da mesma, se é a junção de todas as cores rodadas a alta velocidade, se é tudo e mais um carapau... n'quero saber, bale?... Boa!

Hoje falo-vos, sim, que eu ainda não comecei a botar faladura, de um tema bastante em voga esta semana, e na passada também, e na anterior... e no mês passado, e no ano passado... enfim... desde que me lembro de mim que é um tema bastante moderno... branqueamento!... pode ser de capitais, já que para a roupa branca temos a lixívia, claro que todos sabemos (os que não sabem, soubessem!) que a lixívia estraga a roupa e tal, mas hoje não há tempo, nem relva suficiente para estender a roupa a corar... que imagem bonita seria os lençóis e as toalhas todas estendidinhas ali pela relva da Alameda, ou no relvado de Alvalade... Lá que ficaria branquinha e catita para durar mais uma vida, ficaria. Mas cá pelo palácio não temos vagar, nem relvado e a criadagem, vocês já sabem, não se pode contar com ela para nada, e como tal temos a lixívia e quando a roupa estraçalha, vai para a caminha da Diaba, que aqui aproveita-se tudo!

Ah! Pois!... o branqueamento, não é?!!... vocês já me conhecem e eu distraio-me com a conversa e quando dou por isso prescreveu o tema... é o que acontece com o branqueamento de capitais aqui pelo nosso burgo!... é isso e corrupção, mas para este tema precisávamos de outra cor e estas já se esgotaram.... com pena minha!

Pois se leram até aqui para saberem como branquear capitais perderam o vosso tempo, não só não tenho capitais para branquear como, vocês sabem, não tenho vagar. Tivesse eu, ambos os dois (como diria o poeta!), e estava nas Maldivas a editar um livro sobre branqueamento dos mesmos para vocês irem lá ter comigo!... alguém tem de abanar a Vossa Marquesa, ir buscar cocktails e tirar as areias dos seus reais pés... odeio areia! Bléaaacchhhh!!! Mesmo a branca... apesar de esta ser menos má!

 

Neste desafio participo eu, Vossa Marquesa favorita, a Fátima, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue,  José da Xã e o João-Afonso Machado.

Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada um, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós ;) - roubei este bocadinho à Fátima!!! Espero que não se importe! 

Não sejam uns merdas!....

Sempre me fez confusão, e vocês já vão sabendo disso, as pessoas que vivem para trabalhar. Pessoas que entranharam completamente o conceito social de que só são "alguém" se derem o litro, se suarem as estopinhas (adoro esta expressão), se sacrificarem tudo...

Lamento desiludir-vos, mas estais errados! Vós só sereis "alguém" quando fordes empáticos para com os semelhantes e todos os seres que habitam o planeta, e até para com o próprio planeta. Só quando conseguirem calçar os sapatos dos outros, usarem os seus óculos e sentirem as suas dores é que serão "alguém", até lá, por muito que labutem, que não durmam, que tenham as contas recheadas, não são ninguém, nem para vós próprios. Quando vejo pessoas assim sinto dó, pena e lamento muito por elas.

Já encontrei alguns espécimes destes ao longo da vida... mas hoje, para ilustrar o que vos escrevo (nada temam que não vou fazer um desenho!... eu poupo-vos aos meus traços...) vou-vos falar de uma pessoa que passou na minha vida.

Com essa pessoa trabalhei, ela era minha superior, e sim, era uma ela... que a maluqueira do trabalho não dá só aos homens. Eu consigo, hoje, sentir uma certa empatia por ela e com o que ela passou, apesar da pena... no início, escolheu não trabalhar e cuidar dos filhos a tempo inteiro, sustentada pelo marido que ganhava balúrdios... um dia bateu com a porta e resolveu ser "alguém"... largou tudo e foi trabalhar. O trabalhou tornou-se uma obsessão, ela queria fazer ver ao marido, e ao mundo em geral, que era capaz, e foi!... mas tornou-se uma godzilla do trabalho!... raisparta! Fez das tripas coração e nunca conquistou o nosso administrador... profissionalmente falando, que tudo que ela conseguiu foi com mérito e trabalho. Ela fez da minha vida um inferno, mas não era má para mim, apenas achava absurdo como é que eu não vivia o trabalho como ela... como é que eu não dormia com o trabalho debaixo da almofada... Eu que até tinha tantas capacidades a dar os mínimos, deserta por ir para casa, estar com os amigos, curtir a vida sem pensar no trabalho... ela não entendia isto!

No dia do meu casamento, ela conseguiu, após me dar os parabéns, começar todo um assunto sobre um cliente, trabalho, e blá-blá-blá, e coiso e tal... e eu... com cara de cu com diarreia, com o sorriso mais amarelo canário que encontrei, a abanar a cabecinha qual cão numa chapeleira de um bonito Ford Capri, quando o marido lhe disse, embaraçado (mas não grávido, só com vergonha mesmo!): Errrr.... se calhar já chega! Talvez ela hoje não esteja interessada em falar de trabalho!... contrariada, e amuando, lá se calou. Eu, mentalmente agradeci ao meu anjo, seu marido, e segui a minha vida, a brindar e a curtir a festa.

Mas a cereja no topo do bolo, para que vejam bem a insanidade daquela pessoa, foi no dia em que eu sofri um aborto espontâneo. Era a minha primeira gravidez, comecei a sangrar e com dores e fui parar ao hospital. Fiquei em repouso em casa uma semana, finda a qual a hemorragia aumentou e as dores também, lá fui de novo para o hospital, desta feita para ficar internada e proceder a uma curetagem (ide ver ao Google e parem de chamar raspagem a este acto médico, bale?... não minervem!), no dia seguinte tive alta e vim para casa. Foi-me dada baixa de 1 mês e aconselhada a consultar um psicólogo, levar uma vida leve e despreocupada durante esse tempo e a ir à minha médica uma semana depois para observação.

Nesse mesmo dia, quando chego a casa ela liga-me, para saber de mim...

- Então Marquesa, como estás?

- Errrr... cá estou, não é?

- Ok, ok... então e vais ficar em casa quanto tempo?

- Pois, não sei... tenho baixa para 1 mês mas aconselharam-me a fazer o que me apetecesse, a ter terapia e a ter cuidados... não sei... (eu estava a conversar a medo... confesso!).

- Olha, o melhor é vires trabalhar! (assim! De chofre! Sem aviso, sem anestesia! Trás!) Não há nada melhor do que recomeçar a vida, esquecer isso (isso?!?!), e ocupares a cabeça com outras coisas.... Hoje é Domingo, descansas e amanhã regressas, parece-te bem?

- hummm.... pois... não! Não me parece bem! Estou cheia de sangue, mal-disposta, em baixo psicologicamente... não me parece bem!

- Pois... então 1 semana! Se ficas nisso (nisso?!?!?) mais tempo nunca mais recuperas... o trabalho dá saúde e esqueces isso (isso?!?!?!... de novo) num instante...

Porra! Mas quem é que disse a esta alma que eu quero esquecer? Já se passaram 18 anos e ainda não esqueci, caneco!

Agora pergunto eu, onde e quando é que esta pessoa se tornou "alguém"? Ganha bem? Ganha! Trabalha no que gosta? Trabalha! Viaja pelo mundo? Confere! Fala não sei quantas línguas? Fala, pois! É independente? Completamente!... mas onde é que ela se esqueceu da humanidade?... em que banco de jardim, gaveta ou cofre a deixou?

Pessoas, entendam de uma vez, o que é bom para vocês não tem de ser bom para os outros e vocês não têm o direito de lhes escarrapachar na cara o que é ou não bom para eles, bale? Ao fazerem isso estão a ser uns merdas e a deixar aquela pessoa na merda!

Já não falo com esta pessoa há uns tempos, mas acreditem, após ter percebido que ela era tão infeliz que só o trabalho lhe dava felicidade, que a sua plenitude se media pela quantidade de dinheiro que tinha no banco, passei a sentir dó dela, passei a vê-la com os meus óculos da condescendência... até ficámos amigas a determinada altura.

Há vida para além do trabalho e, tal como a adição ao sexo, às drogas, à comida, ao jogo, etc., a adição ao trabalho deveria ser considerada uma doença. Mas isso implicava mexer com toda a estrutura social e capitalista! Fica para um futuro não tão próximo assim, infelizmente!