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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Desabafo

Ter uma doença crónica é fodido! Sim, escrito com as letras todas que já estou fartinha de andar de sorriso nos lábios a dizer. "Ah e tal... Não é nada! Antes isto do que outra doença qualquer..." O camandro (adoro esta palavra) é o que é!... Tenho de perder esta mania de estar a consolar os outros por causa de uma doença que eu tenho!

 

Pois eu tenho uma doença crónica, autoimune, que me deixa a vida num frangalho! Há dias que só me apetece chorar, são poucos mas hoje é um desses dias, mas nem isso posso pois o raio da doença seca-me as lágrimas e impossibilita-me de chorar! Porra! Vocês, criaturas que têm lágrimas, por favor chorem à vontade sempre que vos apetecer, é uma bênção! E não, chorar sem lágrimas não é a mesma coisa, e não, não alivia a alma da mesma maneira, que eu já tive lágrimas em tempos e sei do que falo!

 

Eu não quero, recuso-me a ser a pessoa que é doente e não quero que a doença me caracterize. Mas, porra! Há dias em que esta merda é tramada! É uma doença que não se vê, o que me torna perfeitamente saudável aos olhos dos outros... "Mas tu nem estás coxa; nem deformada; nem a arfar com falta de ar; nem azul; nem com mau aspecto; nem sequer ranhosa (isso é difícil que o ranho também se me vai para parte incerta tal como as lágrimas); Portanto se não tens nada destas cenas que os doentes têm, estás óptima! Vá, anda lá dar uma volta, apanhar ar que isso passa-te!" Não pessoas amigas, não passa!

 

Dói tudo, estar em pé é um tormento, horas a pé acordada é um suplício, fazer trabalhos braçais como: pegar na mala, aspirar, limpar o pó, estar a escrever ao computador horas a fio, estar sentada muito tempo, estar deitada muito tempo... Tudo isto dói! Dói o corpo, custa a mexer as articulações... Dormir também custa.

 

Então e no frio? Sim, o Inverno vem aí... Ainda dói mais! E o vento? Seca-me tudo: Os olhos, a boca, o nariz... Ahhh... Então fixe, fixe é o Verão? Não posso apanhar sol! E o que eu gosto do calor, senhores! O frio dá cabo de mim... Mas não poder apanhar solinho... E nem sequer poder chorar por tamanha desgraça...

 

Portantos, diz-se assim, isto é uma merda! "Ah!! Mas não estás a morrer", pois não! Mas é como às vezes me sinto, a incapacidade de ter uma vida normal e ainda por cima sempre, ou quase sempre, incompreendida, pode matar! 

 

Gosto muito de aligeirar a doença que resolveu instalar-se na minha pessoa, como me sinto, o que implica (não vos estou a contar tudo, talvez um dia). Como já disse não quero que ela me defina, mas é muito limitadora e incapacitante. Mas falando um pouco a sério, nós, seres humanos, só valorizamos o que vemos, o que é palpável, as doenças que se vêem, que modificam físicamente as pessoas, as outras, que não se vêem mas que, de uma forma ou de outra também podem matar, são completamente desvalorizadas e as pessoas não só são votadas ao esquecimento como doentes que estão, como também lhes é exigido que se comportem como saudáveis.

 

Esta minha condição foi diagnosticada há muito pouco tempo, eu até há 3 meses era apenas preguiçosa e hipocondríaca. Desde aí passei a ter uma doença crónica, autoimune o que significa que o organismo se destrói a ele próprio.

 

A partir desta data passei a olhar para toda a gente, principalmente os desconhecidos, com outros olhos, nós efectivamente não sonhamos com o que se passa nas suas vidas. Imaginem a seguinte cena: Metro, ou autocarro cheio, hora de ponta, pessoas exaustas a irem e virem do trabalho e eu sentada, sem me levantar para dar lugar aos mais velhos, grávidas, etc... Parece feio, muito feio! Afinal eu só tenho 44 anos (e dizem que nem se notam - esta parte é boa!), não estou coxa, não tenho ar de doente, não estou grávida e não tenho uma criança ao colo... Mas não consigo estar em pé, em equilíbrio a ser esborrachada... Se não tiver lugar para me sentar piora tudo, jamais em tempo algum alguém me cederia o lugar... É f***d*do! 

A parte boa? É que estou viva e a fazer de tudo para relativizar e arranjar ferramentas (que partilharei convosco) para ultrapassar os sintomas e ter uma vida normal.

 

 

 

Diz que melhora.... ahahahahahhahahahah!!!!!!!!!... A adolescência ainda agora começou #1

Sou mãe! É verdade! Sou mãe de duas belas miúdas, giras que se fartam, há 13 (quase 14) e 11 (quase 12) anos.

 

Quando estava grávida da mais velha, alguém me disse (pessoas que já estiveram grávidas, digam-me lá se não gostavam de ter 5 euritos por cada vez que vos disseram isto) "quando ela nascer acabou-se o sossego, é que só voltas a dormir quando ela tiver 6 ou 7 anos"... São tão fofas estas pessoas que ficam felizes à brava a profetizar desgraças. Sim pessoas, privação do sono, para mim, é uma desgraça, uma catástrofe, uma calamidade. A minha sogra, de uma dos milhões de vezes que ouvi esta profecia diabólica, disse, do alto da sua sabedoria "não melhora nada! A partir do momento em que se é mãe nunca mais se dorme". Verdade! Verdadinha, pessoas!

 

Mas antes de irmos à verdade, vamos à mentira... Tcharam... Gente que quer espalhar o pânico, que deseja que as mães e pais do mundo deixem de dormir quando nascem as suas crias, preparem-se: As minhas filhas, sim as duas, sempre dormiram toda a noite! A mais velha logo na primeira noite, na maternidade, dormiu 6 horas. Yeahhh!!! 

 

Agora a parte da verdade... Nunca mais dormi. Em sentido figurado é certo, senão não vos estava a escrever estas linhas, estava antes a bater com a cabeça nas paredes! Mas agora trocava as noites bem dormidas pelo drama de ter de lidar com uma adolescente diariamente! Atenção, não se confundam, eu não trocava a minha adolescente por nada deste mundo, apenas trocava as noites bem dormidas por mais calma e paz nesta fase da adolescência.

 

Leio por esse mundo cibernético fora, coisas tão lindas como "ah.. Só tem 1 mês... Melhora a partir dos 3...", "ahhhh... Isso aos 8 meses passa...", não querendo vestir a capa de bruxa má a profetizar desgraças, só vos tenho a dizer que não! Não melhora! Piora? Nalgumas coisas sim, noutras melhora. Há sempre um equilíbrio, que as crias são sábias e não querem que nós nos fartemos delas. Dão com uma mão e tiram com a outra! 


Passa a fase das cólicas, vem a dos dentes, passa a dos dentes vem a da alimentação, passa a da alimentação vem a entrada para a escola, passa a da adaptação vem a das notas... E por aí fora. Estão a ver a lógica da coisa?


Sou pessoa para me atirar para o chão a rir quando leio e ouço coisas como: "Vai melhorar!"... Não vai, não! Não vai, não!! 

 

E ainda só começámos há 14 anos, ainda há toda uma vida pela frente! E ainda bem, bem vistas as coisas, que eu amo estas miúdas mais do que tudo na vida e por isso, apesar de pensar muitas vezes em pô-las na despensa a pão e água até terem 18 anos, quero fazer parte das suas vidas até ser velhinha!... É aí que me vou vingar!...

 

 

Nós amamos a cadela! Literalmente!

Todos os dia te afago!


Todos dias te dou comida, te faço festas, te irrito, te ralho, te digo que te amo e que és a "mai linda" do mundo!
Todos os dias me olhas, me foges, me trazes o teu brinquedo, me pedes comida, me suplicas por uma migalha (mesmo tendo acabado de comer) como se não comesses há 3 dias, me lambes, me fintas, me fazes perder a paciência (ou quase), me derretes o coração quando te deitas tão junto a mim que quase posso jurar (sem garantias, lá está) que estás ao meu colo!

 

Todos os dias penso no bem que fizemos, naquele 29 de Novembro de 2015, em trazer-te para casa quando estavas desesperada a pedir a todos os que passavam na rua que te olhassem e te levassem... Bem, todos os dias penso nisto mas intervalado com momentos curtos, curtíssimos, de 2 segundos, de arrependimento. Aqueles momentos, cada vez mais raros graças ao teu treinador, nosso anjo, que nos ajudou a ajudar-te, em que te passas e corres pela casa como louca, que resolves ler um livro ou ouvir um cd (sim, porque é isso que queres fazer quando os destróis completamente!... Ai! O teu mais que amigo e tutor cá de casa teve tanta vez vontade de te rifar - ninguém compraria as rifas, eu sei - quando chegava a casa e se deparava com os seus cd's e dvd's de colecção irrecuperavelmente estragados).

 

És a maior! Tudo somado e subtraído é sempre mais o que nos dás do que o que nos tiras. E afinal de contas já não há mais cd's, nem dvd's de colecção, e os livros não te estão acessíveis, para estragares.

 

Amamos-te! Sim, a ti que és um cão! Ou cadela, neste caso!

 

Feliz dia do animal para ti e para todos os animais do mundo, em especial os que sofrem e os que fazem sofrer (sim, eu sei que só os humanos fazem sofrer os outros, é desses animais que estou a falar!).

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Entro eu ou sais tu?

Há fenómenos que me ultrapassam, não sei!, ou eu tenho uma capacidade de compreensão preocupantemente baixa, ou há pessoas muito... como direi... parvas!

Alguém me consegue explicar por que raio há pessoas que especam à porta do metro, mesmo, mesmo em frente à mesma, bloqueando a passagem de qualquer alma (talvez as penadas consigam passar, não sei!, se houver por aí alguma que se acuse)... Esperam exactamente o quê? Que quem vai a sair os consiga transpor, atravessando-os ou que passe por cima? Às vezes tenho vontade de ficar parada em frente a estas almas a jogar o jogo do sério, só para ver o que fazem, mas tenho medo! É que estas almas são normalmente mal-encaradas e arrisco dizer que são capazes de morder.

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