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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Stores, tenham juízo!

Quarentena no Palácio #1

Hello pessoas mai'giras do cibermundo! Comé que é, está tudo a andar?!... chiça, caneco, que se isto fosse em vídeo transformava-me numa youtuber de sucesso em 3 tempos, a saber: 1. Aceder ao Youtube; 2. Gravar um vídeo; 3. Dizer: Comé que é, está tudo a andar?... e pronto, nem precisava de dizer mais nada! Sucesso garantido! Bem vistas as coisas conteúdo também é o que menos interessa num canal de youtube de youtubers de sucesso, n'est-ce pas vrait? (Sim, eu sei que há canais de sucesso com conteúdo muito interessante e todos catita... não minervem!... vocês perceberam de que género de youtubers eu estava a falar, certo?!... vocês são espertos, então?!)

Ora mas não era nada disto que eu vinha para aqui debitar... raisparta! Vocês distraem-me, catano!

Pois que o isolamento voluntário começou por aqui há já uma semana... uns mais do que outros, é certo! Mas  começou! As miúdas já não vão à escola desde 5ª feira passada (a aspirante mai'velha há mais tempo porque esteve doente). E pronto, estamos mesmo a entrar no ponto de pirar da cabeça!... não que estejamos por aí a tentar vender a família, ou até a alugá-la ou oferecer, nada disso! Nós gostamos uns dos outros e até nos damos bem. Vêem 'soas da minha vida, a importância de escolherem e educarem bem a família? De viverem com a família e não apenas de passagem... é que depois vem lá um vírus qualquer maluco que nos obriga a ficar em casa por tempo indeterminado e se nós não conhecermos bem e não nos dermos bem com a nossa família pode-se tornar um tormento! Por aqui o tormento é outro! Estamos fartos de estar em casa e gostaríamos mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, já disse mesmo?, muito de poder ir laurear a pevide, que é como quem diz, passear! Mas num bai dar!

Escolhemos recolhermo-nos por várias razões, entre elas o facto de eu pertencer a um dos grupos de risco, já que tenho uma doença auto-imune, por outro lado não queremos que nenhum de nós fique doente, assim como não queremos contribuir, seja de que maneira for, para propagar o bicho por aí. Quanto mais depressa ele se for melhor!

Posto isto, concluo que a malta está mais ou menos enlouquecida com o assunto... não vou falar dos açambarcadores (pelo menos por agora! Lá irei a seu tempo) nem dos coleccionadores de papel higiénico (pensava eu que já tinha feito colecções de tudo e mais alguma coisa, mas não!, ainda me falta coleccionar papel higiénico! Raisparta!), hoje falo-vos de estudantes confinados ao lar e cujos professores têm um medo extremo de que eles desaprendam tudo e que no final da quarentena tenham de regressar à pré-primária!... A sério, senhores professores? Não sei como é com os vossos estudantes, mas as minhas filhas têm trabalhos, com prazos apertadíssimos, para entregar como se o dia tivesse 48 horas e elas não tivessem direito a dormir... Stores, meus putos (olhá veia de youtuber aqui a bombar), os vossos estudantes têm mais do que a vossa disciplina, bale? E todos vocês acham que a vossa disciplina é a única e a mais importante!... quarentena não significa férias, mas também não significa trabalhos forçados, bale? As crianças têm direitos! Tenham juizinho, pode ser? Eu tenho duas cá em casa e já não falta tudo para se digladiarem por causa da utilização do computador.... ah, que lindo vídeo-conferência!... Mas nós somos 4 em casa, mais a Diaba, não temos condições para vídeo-chamadas a toda a hora e muito menos para aulas através delas! Por aqui os professores ainda não tiveram essa ideia fantástica (sóquenão) porque a ser obrigatório, não só o ministério tem de nos pagar a net como oferecer computadores para que todos consigamos trabalhar em simultâneo!... para além de que, no nosso caso, as miúdas teriam de ir fazer vídeo-conferência na casa de banho, o que nos vale é que temos 2 (2 miúdas e 2 casas de banho!). Tenham juízo, bale? Boa! 

Aqui pelo palácio ainda temos outra epopeia... se bem se lembram, se não se lembram é porque andam distraídos ou estão a ficar desmemoriados, a aspirante mai'nova é atleta de competição.... e os treinos?!?!... 2.30h, todos os dias por vídeo-conferência com os treinadores e toda a equipa!... 

Posto isto, e serviu toda esta conversa maçadora, para vos comunicar que vou fazer aqui um Diário do Covid-19, o que acham?

Até lá estamos em modo Big Brother, bale?

Então pessoas, como estão vocemecês?!?... Tenho andado por aqui apoquentada com a vossa vidinha, verdade!...

Isto não está fácil, caneco! Ora agora que aí vinha a Primavera, as esplanadas, as jolas e os tremoços, é que surge o raça do bicho?... se não tinha sido muito melhor no Inverno?!... lá pelo início de Dezembro... olhem bem o que se pouparia em presentes de Natal... hum?!?!... dava para uma viagem toda catita no Verão! Mas não!!! E nós em casa, em modo lontra, a comer filhós, castanhas e bolo rainha como se não houvesse amanhã... e a ceia de Natal? Não ter de aturar o tio bêbado e chato, não receber as centésimas peúgas com ratinhos e pinheirinhos que a tia-avó insiste-em-oferecer-porque-acha-que-nós-adoramos-e-nós-nunca-tivemos-coragem-de-lhe-dizer-o-contrário... não ter de levar com as fotos dojámigos e das primas a passarem a Réveillon em New York City (sim, eles escrevem assim!), nem da colega dos recursos humanos nas Maldivas.... mas não! Na Primavera! Quando a malta já estava a sair da depressão de Natal e Inverno e a começar a ver o sol raiar e o calorzinho a afagar a pele (ai, catano, que estou inspirada)... mas não!!!... Primavera fechados em casa!!!

Coméquetáaser a experiência Big Brothiana da vossa família? Já se mataram uns aos outros? Hum?!?!... estou tão ralada convosco, catano!! Cá pelo palácio a vida vai-se fazendo... "ele" há momentos em que temos vontade de matar alguém, mas depois o que fazíamos ao corpo? E sangue por todo o lado... bléachhh; "ele" há momentos em que somos todos amigos; "ele" há momentos em que só temos vontade de largar tudo e fugir, mas depois pensamos melhor e achamos que é mais seguro ficar em casa, masé; "ele" há momentos em que nos apetece emigrar, mas depois, lá está, para onde, senhores, para onde?!... então optámos por ser todos amigos, conversar muito e pensar que quando isto tudo acabar (acabará?!?) a vida não mais voltará a ser igual... assim o espero eu!

Mais do que um momento que jamais sonháramos viver, este é, para mim, um momento de paragem, forçada, é certo, mas de necessária paragem! Tudo vai mudar, sem dúvida! Não fazemos ideia como estará a economia daqui para a frente, se restará pedra sobre pedra após tudo isto, mas e o caminho que estávamos a levar, era bom? Um caminho em que a única coisa que nos movia era o dinheiro, um caminho em que os líderes eleitos eram xenófobos, misóginos, homofóbicos e com todo o tipo de preconceitos, um caminho individualista, um caminho completa e absolutamente centrado no mundo ocidental, como se todos os outros seres humanos fossem de categoria inferior... venha a mudança! A mudança, todos sabem (se não sabem tivessem ido à escola que já saberiam... ou então leiam! Ajuda muito e agora têm tempo!), é sempre feita à força, à bruta!, com guerras, epidemias. Por isso aproveitemos a oportunidade de repensar e viver a vida de outra forma!

Entretanto, aproveitem a vida em casa, com a família... vão ver que até são malta porreira! - Eu cá gosto da minha! - Façam actividades juntos, leiam, descansem, trabalhem, vejam séries, e não se macem muito! Não vale a pena, já vimos todos isso! A vida quando quer pára-nos quer queiramos quer não! Façamos nós o que fizermos! Pensem nisso!... ah! E não obriguem os putos a trabalhar todo o dia como se não houvesse amanhã.... já todos vimos que ninguém conhece o amanhã, estudar sim, mas não os torturem. Este estudo desenfreado pode não servir de nada, só os deixa mais ansiosos e, já sentiram na pele, estar fechado 24 horas 7 dias por semana não é fácil!

Agora, mantenham-se a salvo, se não por vós (há aí malta que não tem medo de morrer e que acha que o bicho não lhes pega - eles lá saberão!!!...) pelo menos pelos outros, bale?


Essa conversa de aceitação do corpo...

Tenho andado por aqui com a cabeça às voltas com um tema que me encanita os nervos...

A aceitação do nosso corpo... ah que temos de aceitar o nosso corpo... que os corpos são todos bonitos... que o nosso corpo é lindo e maravilhoso, e coiso e tal! Parece que as bloguers perceberam que deste lado há malta de rabo grande, barriga flácida e mamas descaídas e desataram todas nesta lenga-lenga... depois é vê-las, como que meio envergonhadas, a justificarem-se assim meias tímidas e a medo, sempre que vão ao ginásio, sempre que vão a uma sessão de massagens, de body lifting (ou lá o que é...) ou, numa decisão mais definitiva, fazer uma plástica!... deste lado, do lado do povo de rabo grande, começam a chover críticas, ah, e tal, mas afinal temos de aceitar o corpo e tu aí a ver se o mudas....

Ora, aqui a vossa Marquesa favorita, resolveu reflectir por todos vós, vá, nós que é mais bonito, e vai começar a botar discurso sobre o tema nas próximas linhas. Sim, foi por ter estado numa profunda reflexão que não tenho vindo aqui... acham o quê? Que se reflecte assim em dois segundos sobre um tema tão importante? Pois que não! Ainda tive de ler estudos científicos, aplicar inquéritos e o catano para vos trazer tão importante opinião: A minha!

Pois que esta cena da aceitação do corpo é muito linda mas é uma grande treta! Eu não tenho que aceitar o meu rabo grande se não gosto dele! Não tenho de aceitar as banhas a saírem por todos os lados se não gosto delas! Não tenho de aceitar ter perninhas fininhas em que nenhumas calças assentam se não gosto delas! Não tenho de aceitar umas mamas pequenas ou grandes se não gosto delas!... estão a ver a ideia? Se não gosto, mudo! Faço por isso! Nem que tenha de recorrer a uma plástica! Tal como não gosto dos meus cabelos brancos (estou a falar em sentido figurado, bale? As Marquesas não têm cabelos brancos! ), então pinto! Agora se gosto, se não posso mudar, se é uma questão de saúde, então porreiro, deixo como está, assumo e passeio-me linda e maravilhosa por aí!

Chateia-me à brava a conversa de vendedora de banha da cobra de algumas influencers por aí de que temos de aceitar o nosso corpo... não pessoas! Temos de ser felizes com o nosso corpo! Se pudermos mudar alguma coisa, fixe! Vamos mudar! Sem vergonhas. A conversa destas pessoas mais não é do que tentar serem normais, tentar vender uma imagem de pessoa normal (diz que é a tendência por agora. A malta fartou-se de ver vidas perfeitas no Instagram e quer vidas reais). Portanto, é conversa da treta! Há uma, que eu sigo porque até a tinha em boa conta e até gostava bastante dela (ainda estou a ponderar se continuo a seguir ou não!) e que passa a vida a dizer que temos de aceitar os nossos "defeitos", que somos pessoas normais, com corpos normais e depois toca de comer 2 folhas de alface, treinar todos os dias que nem uma condenada, fazer massagens, experimentar novas técnicas para perder massa gorda ou lá o que é... quando confrontada diz, ah e tal, temos de aceitar o nosso corpo, com tudo o que ele é e tem mas (depois de um "mas" normalmente vem merda, já dizia o poeta.) podemos ser saudáveis, isto é tudo pela saúde, blá, blá, blá e coiso-e-tal... tretas, masé! Não gosta, pode mudar? Muda! Siga para bingo! Onde está o problema?

Essa conversa da aceitação do corpo.... conversa de cocó!!!

Claro que, quando falamos de marcas, de exposição pública, aí a conversa muda. Esses sim, têm a responsabilidade de mostrar que todos temos um corpo, todos são diferentes e todos são bonitos. Adoro a ideia (apenas ideia, ninguém ainda teve ousadia e coragem) de se pegar em corpos de todos os tamanhos para passagens de modelos, para fotografia de moda... afinal, quem são os compradores?... mas isso é outro post!