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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Adolescência.... socorro, senhores, tenho medo!!!

Estou finalmente a chegar à etapa da vida que mais temo... logo a seguir ao aproximar da morte (eu tenho uma falhinha, já vos tinha avisado... nem vou citar nenhum post anterior para que verifiquem porque qualquer um deles serve para o efeito!!). 

E esta fase da vida é a seguinte: Ser mãe de adolescente!... Toda a minha santa vida, ou melhor toda não, desde que fui mãe ou perspectivei ser, antes disso não queria, não sonhava e não idealizava ser mãe. Nunca adorei brincar com bonecas, e sempre tive a certeza de não querer ser mãe. Depois cresci e esta, tal como tantas outras certezas absolutas que temos em criança e adolescente (eu fui até mais tarde, com esta certeza... até aí aos 29 anos... fui mãe aos 30), foi-se! Foi-se e eu fui mãe! E desde aquele momento em que soube que estava grávida, desde aqueles risquinhos no teste de gravidez (já inventavam algo com mais glamour, prático e menos badalhoco! Alguém tem de falar sobre isto! Fazer xixi para uma pontinha de feltro de um aparelho do tamanho de uma caneta, não só não é bonito, como não é prático, como se vai xixi para todo o lado... mãos... pingos no chão... uma porcaria... quando vejo nos filmes as lades todas contentes a levar o testezinho pela casa e o seu babe a pegar naquilo e abanarem e mostrarem a toda a gente... só me ocorre: Bléac!! Ca nojo!!!... pronto é isto! Ou sou eu que não tenho estudos para usar aquilo ou o facto de andar um teste cheio de xixi a passear pela casa só é badalhoco!)... bem dizia eu, desde os risquinhos nos testes, ainda antes de pensar num bebé, fraldas, leite, cólicas, parto, etc... o que eu pensei imediatamente foi: Porra que um dia a criança vai ser adolescente! Porra que eu transporto um(a) pré-adolescente na minha barriga!... e quem conviveu comigo sabe bem que isto é verdade! Quando pais e mães, futuros pais e futuras mães, avós e tios, amigos e amigas se me juntavam e partilhávamos todos as angústias da maternidade e paternidade eu só tinha um medo: A adolescência!... quais noites sem dormir, quais birras, quais cólicas, quais entradas na escola... adolescência, meus caros! Adolescência! Sempre foi o meu maior medo!

E hoje sou oficialmente mãe de uma adolescente (ainda no início) e de uma pré-adolescente (que vai assumir o cargo já em Novembro)... eu estou seriamente a pensar trancá-las na despensa com comidinha e bebidinha (água, entenda-se), telemóvel (para nos irem dando conta de como estão e estarem entretidas... sabemos bem que um telemóvel as entretém durante uns 10 anos pelo menos) e depois, lá para os 25 anos abrir-lhes a porta e mostrar-lhes o mundo de novo! Com as novas tecnologias até podem estudar à distância e tudo... a mim parece-me um excelente plano!

Tens medo do quê, Marquesa?... de tanta coisa, meus caros! Eu também fui adolescente! Sei o que é ser adolescente. Foi uma época muito marcante na minha vida. Vivi muita coisa. Vi muita coisa. Foi uma época fantástica e cheia de perigos... felizmente tive cabeça! Felizmente não me perdi. Mas podia ter-me perdido com a maior facilidade. Não tenho medo das discussões, não tenho medo da rejeição natural que os adolescentes fazem aos pais (eles voltam depois), não tenho medo das escolhas escolares, profissionais... tenho medo de outro tipo de escolhas. Tenho medo do álcool, da droga, dos abusos, dos riscos que correm muitas vezes ligados aos abusos de substâncias lícitas ou ilícitas, tenho medo do facto de se acharem invencíveis e imortais, tenho medo do acharem que sabem tudo e não sabem nada... só descobri isto há pouco tempo! Verdade! Só descobri que afinal não sabia nada há uns 5 anos, mais ou menos... fui adolescente até muito tarde! Acho que ainda sou um pouco, daí ter tão presente o que é ser adolescente. Um dia hei-de escrever sobre isto! A adolescência foi sem dúvida a época com maior impacto na minha vida, e agora que penso nisso ainda me estou a tentar levantar da pancada que levei dela... e tenho receio de não o conseguir.

Tenho tanto medo... e ao mesmo tempo que tenho medo tenho a certeza absoluta que elas têm de passar por tudo isto. Quero muito que elas vivam a sua adolescência em pleno, que a aproveitem, que esta pode mesmo ser a melhor fase das suas vidas... ou a pior... e esta é uma escolha delas. Ou melhor, esta é A escolha! Depois desta escolha feita, que terá de o ser muitas vezes, e entenda-se por muitas vezes o ter de ser feita por vezes todos os dias, por vezes várias vezes ao dia... é uma escolha constante. Constantemente terão à sua frente a bifurcação do caminho e elas terão de ter a sabedoria de escolher qual seguir. Na certeza de que num estarão os melhores anos das suas vidas e noutro os piores, ou até mesmo os derradeiros... e este é o meu maior medo!

Sei bem qual é a minha função. Sei bem que esta prende-se com o deixá-las voar, deixar sempre o ninho pronto para as receber, dar-lhes todo o amor, dar-lhes todo o apoio e dar-lhes, também, regras, saber, conhecimento, nãos e consequências para todos os seus actos. Mas sei tão, mas tão bem, que faça eu o que fizer a escolha é sempre delas! E aqui mora o meu medo!

Agora começaram os meus anos sem dormir... agora sim, venham as olheiras, os mau feitios diários e diurnos, agora sim venham as tormentas... porque uma coisa é não dormir com as nossas crias no ninho, outra é não dormir porque elas estão fora dele... 

Chegou! Chegou a altura que eu mais temia! Esta semana a aspirante mai'velha vai ao NOS Alive... e eu não! Vai com uma amiga e a mãe desta. Sim, eu sei! Vai com adultos que tomarão conta dela, de outra forma não iria, ainda não tem idade para isso... uma coisa de cada vez, temos pena! Elas não fazem tudo o que querem, quando querem e com quem querem... também não somos castradores... elas conquistam a sua liberdade e a nossa confiança e tudo lhes é dado em função da idade que têm.

Eu tenho medo! Tenho medo de me encontrar com elas na adolescência... na adolescência da qual ainda não saí e em que elas estão a entrar... conheço tão bem esta adolescência! Por um lado é bom. Há muitos adultos que não conhecem a adolescência, uns porque não a viveram, outros porque já se esqueceram... eu vivi-a, o Marquês também, e eu, como já vos disse, ainda lá tenho um pézinho... Eu disse-vos, eu tenho uma falhinha! Por outro lado é mau... exacerba a minha ansiedade!

Chegámos à adolescência... Socorro, senhores, tenho medo!!!

Ps: By the way, a aspirante mai' velha já foi e já voltou do estrangeiro de fora! Veio viva, saudável e super feliz! 


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