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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

É por isto que eu não tenho empregada doméstica!

Esta é a verdade... sóquenão!!! Este é o verdadeiro motivo pelo qual não tenho empregada doméstica (não gosto deste termo... mas não encontro outro... mulher-a-dias ainda é pior... aceitam-se sugestões!).

Há uns anos tive empregadas domésticas! - uma de cada vez, acalmem-se! - e como tudo o que é doido vem parar cá a casa, elas não podiam ser excepção, claro!

Pois que tivemos uma que era russa. Nada contra, atenção! Mas tenho que vos dizer a nacionalidade dela para vocês perceberem... é que ela não falava uma palavra de português, uma, senhores!... não estão bem a ver o que era explicar-lhe o que queríamos sem ela falar português e nós sem falar russo... um filme! Depois a senhora tinha medo de cães. Nós na altura tínhamos dois. Então ela só vinha cá a casa ao Sábado, que era quando estávamos em casa. Portanto, nós tínhamos de ficar em casa fechados ao sábado, fizesse chuva ou sol, para a senhora vir limpar, aspirar, passar e todos os "ares" que fazem parte das tarefas domésticas....

Era um filme, senhores! Os cães presos na cozinha (sim, ela não entrava na cozinha, portanto a cozinha não era limpa por ela), nós a mudar de assoalhada consoante ela precisava de limpar. Isto tudo sem conseguirmos falar com ela uma palavra!... se há coisa que me dá cabo dos nervos é não conseguir comunicar com as pessoas. Não as entender nem elas me entenderem a mim... Sábado era um dia de terror cá em casa! Sabem lá...

Eu e o Marquês, sentados no sofá a olhar para a televisão (não ouvíamos nada por causa do aspirador)... os cães possuídos pelo demónio a ladrarem na cozinha (claro que não gostavam de estar presos a ver, pelos vidros da porta, passar uma pessoa que não conheciam e que andava a cirandar pela sua propriedade, a contactar com os seus humanos... um ser potencialmente perigoso, aos olhos deles, e eles sem poderem fazer nada... ladravam, claro está!). Eu e o Marquês calados... com os nervos à flor da pele... a pensar "o que vale é que amanhã é Domingo", ou "quando é que chega a hora de ela se ir embora, camandro?"... a hora chegava, e com a chegada da hora era o momento de nos pormos em acção.... já vão perceber os nervos.... atentem...

Aquela alma sempre, mas sempre, que aspirava, ou seja todos os Sábados, desligava tudo o que era fios cá de casa (o que vale é que ela não ia à cozinha, não quero pensar no frigorífico). Ela era um autêntico bulldozer a aspirar; um ninja do aspirador; ela com uma aspirador na mão era capaz de conquistar o mundo e ia tudo a eito! Tudo, senhores, tudo mesmo! Sabem lá.... a televisão desligada, o computador desligado (quando ela se aproximava do computador o Marquês tinha pequenos avc's. Até que um dia a proibiu de aspirar debaixo da secretária), tudo desligado... mas não era com a mão, nem com jeitinho. Não! Era com a força com que martelava o tubo do aspirador contra tudo... Não aguentámos... dispensámos a senhora! Ou ela seria responsável pelos nossos remédios precoces para tensão arterial.

Depois veio outra senhora! Falava português! Yeahhhhh!!!!! Entendiamo-nos perfeitamente! Era uma simpatia! Eu gostava muito dela, mas.... já vos disse que tudo o que é maluco vem parar cá a casa, não já? Esta não tinha medo dos cães. Até gostava deles e eles dela (descobri que andava sempre com um pacote de bolachas Maria no bolso e ia-lhes dando... como não haviam eles de gostar dela?). Não precisávamos de ficar em casa enquanto ela a punha num brinquinho e aspirava tudo muito bem (já vão perceber, mas preparem-se, pessoas. Sentem-se e esperem o inexpectável).

Em primeiro lugar esta pessoa adorava limpar. Limpava tudo! Mesmo! Um dia cheguei a casa mais cedo, graças a todas as divindades! Se não hoje poderia bem ser um sem abrigo... ou não! Pensando bem, poderia estar presa! Um cheiro a gás... a senhora limpou o fogão tão bem que deixou os bicos ligados. Tive de passar a desligar o gás na torneira principal para ela limpar à vontade sem explodir nada nem ninguém. 

Uma vez limpou tão bem o fogão, esse seu velho amigo, que lhe tirou a tampa para nunca mais ninguém ter conseguido colocá-la no lugar... faltavam peças e eu tenho mais onde gastar o dinheiro. Ficou assim, sem tampa mesmo!

Mas a cereja no topo do bolo, vá sentem-se masé, foi um dia que o Marquês chega a casa e não há luz. Vai ao quadro e estava desligado. Liga-o! O quadro dispara. Liga-o novamente e sai de casa. Eu chego. Não há luz. Ligo o quadro. O quadro dispara. O Marquês chega e estamos os dois numa de liga-dispara-liga-dispara-e volta a ligar o quadro, e a pensar: Que raio.... Nisto eu entro na cozinha, um lago! A água vem da despensa. Porra! O que se passa aqui? Isto deve ser um curto-circuito! Abro a porta da despensa e a caixa da aspiração central está a jorrar água. Catano! O que se passou aqui? Água na aspiração central?... na despensa?!?!... que raio é que aconteceu nesta casa? Desligámos a aspiração central da ficha e o quadro não voltou a disparar.

Eu e o Marquês a tentar descortinar o que raio tinha acontecido nesta casa... não conseguimos! Não chegámos lá. Liguei à senhora. Conversa:

Marquesa: - Oh X, quando esteve cá em casa havia luz?
X: - Sim, havia.
M: - Sempre?
X: - Sim. Mas porquê?
M: - E o aspirador funcionou bem?
X: - Sim. Aspirei a casa toda.
M: - Toda?
X: - Sim! Toda.
M: - Toda, como?
X: - Toda, mesmo.
M: - Mesmo?!?!?... Mesmo, como? explique-me lá como, onde e o quê que aspirou?
X: - Comecei na sala, aspirei a sala toda, sofás, tapetes, cortinas; Passei aos quartos, chão, tapetes, cortinas... (deveria ficar por aqui... mas não! Não no palácio da Marquesa) e de seguida passei para a casa de banho (pára tudo!!!)...
M: - E aspirou o quê na casa de banho?! (perguntei a medo... muito medo...)
X: - O chão, e os ralos...
M: - oi?!?!... Os ralos?!...
X: - Sim! Tinham cabelos e eu aspirei os ralos do lavatório e...

E dá-se o momento em que, esta alma, vai buscar água ao Tejo. Esta pessoa aspirou os canos da casa de banho, senhores...


Pronto! Neste momento eu tive um avc e um enfarte... desfaleci... quando recuperei desatei a rir e mal conseguia contar ao Marquês o que se tinha passado.

A aspiração central foi à vida, para todo o sempre e comprámos um aspirador daqueles com rodinhas. A senhora já não trabalha cá, mas não foi despedida, emigrou! Foi aspirar outros canos e tirar água ao Tamisa, ou assim...

Ainda há uma história de 2 pássaros mortos e um despedimento voluntário e abrupto no mesmo dia, mas não vos quero maçar mais... fica para outro dia! 

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