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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

É por isto que sou vegetariana!

"Atão, mas afinal porquê que te tornaste vegetariana?"... esta é a pergunta que mais ouço quando digo que sou vegetariana (Ovo-pouco lácteo-vegetariana). Normalmente não é uma pergunta inocente. Normalmente vem carregada de escárnio, de superioridade, de gozo... Ora bem, aláber.... Um porque sim! Deveria ser suficiente! Quando a pergunta vem carregada de menosprezo, superioridade e palermices do género, normalmente esta é a minha resposta: Porque sim! ou Porque quero! ou ainda, Porque posso!, um sorriso nos lábios e uma tremenda decepção do outro lado misturada com vergonha.

Muitas vezes a pergunta não se limita a um "Atão, mas afinal porquê que te tornaste vegetariana?", normalmente segue-se um: "A carninha é tão boa... olha eu, como é que eu passava sem o meu baconzinho ou o meu entrecostozito.... ahahahahhahahahahah".... Pois, passavas com menos colesterol, mas isso é um problema teu e não meu. Talvez te tornasses também uma pessoa menos execrável e parva.  Mas, mais uma vez, esse é um problema teu!... como referi acima, a minha resposta é: "Porque sim!". 

Só desenvolvo a questão quando percebo que o interesse da pessoa é genuíno, que quer mesmo saber, que não está a fazer juízos de valor nem a pôr em causa as minhas decisões. E aí eu explico, tal como vou explicar-vos a vós, que não perguntaram nada, mas eu vou dizer na mesma:

Pelos animais, em primeiro lugar! Em segundo lugar pelo planeta!

Mas, vamos por partes. Eu adoro peixe, adoro marisco, tenho uma profunda pena de ambos não serem vegetais, frutas ou tubérculos, mas são animais e só por isso não os como. Por eles! Não por mim, que eu emborco uma data de porcarias que só fazem é mal, tipo açúcar, chocolate, gelados, gelados de chocolate... vá, acorda pá! 

A carne... a carne já não sei se gosto! Não a como há tantos mas tantos anos que nem me lembro se gosto ou não! Seria incapaz de voltar a comer carne. Mas sei que gostava quando a deixei de comer. Adorava enchidos. O meu prato favorito era Cozido à Portuguesa... agora, só de passar perto do talho fico com náuseas. O que está no prato não é um bocado de uma coisa. É um bocado de um animal. Um animal que é senciente, que sofre, sente medo, frio, calor, alegria e tristeza... e só isso faz com que eu seja incapaz de os comer. Não me cabe na cabeça comer um animal. A minha "diaba"?!?!.... eu seria incapaz de comer a minha "diada", então como poderei ser capaz de comer uma vaca ou um porco que têm exactamente as mesmas capacidades que ela? Que sentem da mesma forma que ela?.... Não dá! Não consigo!

E os peixes a mesma coisa... são animais! Sofrem, sentem. Não faz sentido comê-los! Há tanta coisa que podemos comer, tanta coisa saborosa, deliciosa mesmo e que não contribui para o sofrimento dos animais.

Depois o planeta. A indústria pecuária é a maior fonte de poluição mundial. Não há nada que se lhe equipare. Para terem uma ideia, se apenas nos EUA, e apenas um dia por mês, todos os americanos deixarem de comer carne é o equivalente à paragem de todos os veículos motores (carros, barcos, aviões, motas) no mundo inteiro, em termos de impacto ambiental. É brutal! Se continuarmos a comer carne desta forma o planeta não dura muito, não vai aguentar. As Nações Unidas já avisaram, ninguém quer saber. E atenção, que ainda temos a questão da soja. 90% da produção de soja no mundo, que destrói as florestas, serve para alimentar o gado, suínos e aves. Quanto mais aumenta o consumo de carne, mais aumenta a produção de soja. Até aos anos 40 a produção de soja era quase exclusiva para a alimentação de animais. Apenas 10% é para a alimentação humana.

O peixe, esse desgraçado está prestes a acabar nos oceanos. Não há muito mais a dizer sobre o peixe.

Esta é a minha perspectiva! É por isto que não como nem carne nem peixe. Os ovos e o queijo serão os próximos (não bebo leite nem iogurtes, nem como manteiga).

Depois há uma questão que me encanita os nervos... porquê que é tão incómodo para os omnívoros que existam vegetarianos? Em que medida este facto os pode incomodar tanto?... Não entendo! Não entendo onde está o motivo de gozo. Ou melhor entendo... As pessoas têm tendência para gozar por dois motivos:

- Medo. Medo de serem inferiores; medo de estarem do lado errado; medo de serem ultrapassados; medos vários...

- Sentimento de inferioridade: Precisam de gozar com os outros para se sentirem bem.

E ainda, há os que são só parvos! Que, quando se fala em vegetarianismo, aparecem aos magotes!

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