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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Isto não se ensina nas escolas

A vida por aqui vai-se fazendo na sua normalidade, entre crises da Síndrome. E a prova disso é que as aspirantes (coisas mai'lindas de sua mãezinha) continuam a evoluir, a vida delas não pára, caneco!!!! Alguém me há-de dizer o que fizeram às minhas bebés que ainda ontem nasceram... não é justo a vida andar tão rápido, chiça penico chapéu de côco!!!

A mai'velha não gosta que eu fale dela aqui pelo blog, eu respeito, está na adolescência e acredita que, a qualquer momento, toda a gente pode descobrir quem nós somos e depois a vida social dela pode-se desfazer em menos de nada... assim tipo Puff!!! Quem nunca foi adolescente não perceberá este receio, quem já foi não só o percebe como sabe que daqui a uns anos a vai fazer rir!... ela lembra-me tanto a minha pessoa quando tinha a idade dela!... mas lá está, tal como Darwin descreveu, a evolução das espécies não perdoa e ela é uma versão 100% melhorada! Tenho pena de não poder falar tanto dela, ela é uma miúda incrível, com valores sólidos, com um sentido de justiça e ética fora do comum para a idade, com uma mente aberta, defensora da liberdade individual, respeitadora de todas as diferenças. Não é normal na idade dela ser-se assim. Isso, por vezes, fá-la sofrer... os pares nem sempre estão abertos a esta mentalidade tão madura! Tem um gosto musical incrível, é uma artista de mão-cheia, toda ela é criatividade, um sentido de humor apurado, deliciosamente parvo e idêntico ao meu, linda de morrer (mesmo!)... mas não vou falar mais dela senão ela zanga-se!

A mai'nova não só gosta como adora que eu fale dela aqui no blog... também é adolescente mas tem uma personalidade completamente diferente da irmã. Para ela a vida é uma festa, tem 500 mil amigos, fala com toda a gente, se cair ri-se, levanta-se e siga para a frente!... Por isso, hoje falo-vos dela! (mais uma vez!) A mini aspirante tem uma energia contagiante, é amiga (mesmo) de toda a gente (com tudo o que isso tem de bom e de mau), confia facilmente nas pessoas, é um doce, crente nas pessoas e na vida de uma forma tão genuína que comove, é uma lutadora como há poucos... desde mínima que ela luta! Luta mesmo muito! Nada a faz desistir e fá-lo com um sorriso nos lábios, uma alegria e uma leveza que só ela. Não é toda a gente que, desde os 6 anos, treina persistentemente para atingir objectivos na ginástica. A evolução dela tem sido incrível. Todos os obstáculos ultrapassados, vai devagar (lá está, tem de lutar), tem de trabalhar, é focadíssima nos treinos (tenho uma prima que também foi ginasta e tem os filhos no anterior clube dela mas noutra modalidade, ela dizia-me: Sempre que eu passo no treino dela, ela está focadíssima, aceno-lhe e ela esboça um sorriso rápido e foca-se de novo. É incrível! Se eu fizesse isso à minha filha ela largava tudo e vinha dar beijos e abraços e a tua nada! Ali, focada! - Posso-vos dizer que, se ela não estiver a treinar, também vem a correr dar beijos, abraços e conversa, mas treino é treino!).

Aos 6 anos foi para a ginástica porque nos pediu, porque os olhos dela brilhavam quando via ginástica, não uma qualquer mas aquela modalidade: Acrobática! Aos 6 anos chegava a casa e, nos tempos livres, ocupava-os a ver competições de ginástica acrobática (ainda o faz) e dizia: - Mãe, achas que um dia eu vou ser assim?

Já falei várias vezes do percurso gímnico dela! Se tiverem curiosidade aqui está um relato mais detalhado do mesmo, ide ler se querem saber como deveria ser todo o desporto! 

Quando digo que ela tem de lutar, falo a sério! Quantos de nós conseguiria após um dia de escola, de estudar e fazer TPC's (essa praga do demo! Mas isso é outro tema!), ir treinar 3 a 3 horas e meia, todos os dias? E ao Sábado mais 4 horas, todos os Sábados? E nas férias Bi-diários, ou seja 3 horas e meia de manhã mais 3 horas e meia à tarde todos os dias da semana?... pois... bem me parecia!!! São como eu! Não levantam o rabo do sofá nem que vos paguem, não é? Bem... eu, depende da quantia... por 5 euritos já levantava o rabo do sofá durante 10 minutos...

Bem, mas o que me traz aqui hoje é falar-vos, mais uma vez, do que é isto de ser ginasta (não o sendo eu, mas sim mãe de uma) e o que é isto do espírito da ginástica...

É muito trabalho, é muito esforço, é muita dedicação, é pouco apoio! É termos um Estado que não apoia o desporto (excepção feita ao futebol e a mais 2 ou 3 modalidades), é termos uma Federação sem meios, é termos um ensino que ignora o esforço dos seus atletas. A minha aspirante mai'nova quando tem competições e tem de faltar às aulas, as faltas só são justificadas se os professores tiverem boa vontade! Nas 3 Taças Internacionais a que foi, representar o seu clube e também Portugal, levou uma carta do clube para a escola a pedir encarecidamente que as faltas dos 3 dias fossem justificadas e que não marcassem testes para aqueles dias. Na escola dela nunca houve problema e os professores foram impecáveis, mas ela tem colegas noutras escolas em que não foi assim. Ela tem colegas que chegaram a Lisboa, depois da competição, e no mesmo dia tiveram testes (dia esse que era pedido na carta para que os atletas fossem dispensados das aulas). Testes após 4 dias fora de casa, enfiados num pavilhão cerca de 10 horas, a competirem, depois de uma viagem da Maia para Lisboa... inacreditável! Claro que é difícil! É difícil a todos os níveis! E mesmo assim temos atletas de topo, não sei como, juro! Na Taça Internacional estão atletas de todo o mundo, que também tiveram de faltar às aulas. Muitos deles, se não mesmo a maior parte, tem ensino integrado com o desporto. Neste país isso só existe para a música e para a dança. Então e o desporto, senhores? Ahhh... o desporto só para atletas de alta competição, para os atletas da Selecção Nacional... a sério, pessoas? Então e como é que eles chegam a esse nível se não começarem desde crianças nos níveis inferiores?... pois!!!! A realidade que conheço melhor é a da Ginástica Acrobática. Sei que há uma miúda, de 15 anos, que fez parte da Selecção Nacional (mas como esta não é uma modalidade olímpica tem um estatuto "inferior" às outras modalidades... por diversos motivos. Mas Federações de todo o mundo estão a trabalhar arduamente com o Comité Olímpico para que esta realidade mude), que foi vencedora (em pares mistos) do Campeonato da Europa e da Taça do Mundo, teve de sacrificar a escola. Teve de optar! Ou uma coisa ou outra. Naquele ano chumbou. Naquele ano não conseguiu ir às aulas com frequência... é triste!

Quando eu falo na luta dela, é isto! Ela tem a escola, ela tem os amigos, ela tem a família, ela tem 13 anos e quer divertir-se e tem de conjugar tudo isto com os treinos intensos da ginástica! É um exemplo!

Este ano, não sabemos se a escola não será sacrificada... ela está a esforçar-se para que assim não seja... vamos ver! Este ano ela (e as duas bases dela. Ela está num trio feminino) ficou em 4º lugar no Campeonato Distrital de 1ª Divisão! Yeaahhhhh!!!! Este ano ela conseguiu apurar-se para o Campeonato Nacional (Go, miúdas! São as maiores!), é já este fim-de-semana na Maia! Porto, here we go, again!!! Este ano ela já foi ao pódio numa competição nacional! Yeahhhhhhh!!!!! The very best!!!!

Então mas e a escola não é mais importante? Não, não é! É tão importante como, mas não é mais importante! A escola não lhe dá valências que a ginástica lhe dá. A escola não lhe incute valores como a ginástica. A ginástica dá-lhe competências que não se aprendem na escola. E sim, também pode vir a ser o futuro profissional dela, ou pelo menos fazer parte dele.

Estás a falar do quê, Marquesa?

De muita coisa! Mas principalmente disto:

Era uma vez um Campeonato Distrital de 1ª Divisão de Ginástica Acrobática (Lisboa), uma competição importantíssima. Aquela que pode dar, ou não, apuramento para o Campeonato Nacional. Naquele campeonato encontram-se os melhores atletas e clubes da modalidade a nível distrital. É uma competição, com tudo o que isso implica (malta a competir uns contra os outros). E de repente uma fotografia surge no ecrã do meu telemóvel... a aspirante mai'nova com o seu fato de treino do actual clube, e as 2 ex-bases dela, cada uma com o seu fato de treino do seu respectivo clube. 3 atletas, 3 fatos de treino diferentes, 3 clubes, 3 sorrisos e muita amizade e cumplicidade. Aquelas 3, que foram um trio na época passada mas que nesta estão em 3 clubes diferentes, naquele dia riram juntas, choraram juntas, apoiaram-se, sofreram as falhas umas das outras em prova, aplaudiram os sucessos umas das outras em prova. Isto é verdade, pessoas giras! Entre as 3 houve vitórias, houve quem não conseguisse atingir o seu objectivo, houve quem não tivesse conseguido o apuramento, houve quem fosse apurado, houve quem falhasse na prova (falhar em ginástica acrobática é cair numa figura ou não conseguir fazê-la até ao fim), houve quem fizesse uma prova espectacular... aquelas 3 juntas, abraçadas a chorar e a rir, a frustrar e a aplaudir. Digam-me que escola ensina isto?

Era uma vez um Campeonato Distrital de 1ª Divisão de Ginástica Acrobática (Lisboa), uma competição importantíssima. Após a prova da aspirante mai'nova, enquanto estava sentada à espera da nota, decorria a prova de uma das suas melhoras amigas. Uma atleta do seu primeiro clube (este já é o 3º clube dela. Ide ler o link que deixei lá atrás), conhecem-se desde os 6 anos, não falham uma festa de aniversário uma da outra desde aí, são das melhores amigas. A prova termina, as atletas dirigem-se para onde está o grupo da aspirante, e dá-se aquele abraço! Um abraço gigante entre as duas! Digam-me que escola ensina isto?

Era uma vez um Campeonato Distrital de 1ª Divisão de Ginástica Acrobática (Lisboa), uma competição importantíssima. Contra a aspirante compete também outra das suas melhores amigas, atleta do seu primeiro clube (mas não a mesma que refiro acima. Daquele clube nasceu um grupo de 4 melhores amigas. Inseparáveis. 3 ainda lá estão, só a minha aspirante é que saiu). A amiga consegue um lugar no pódio. A aspirante fica feliz e a amiga fica triste por não ter podido dividir o pódio com a sua querida amiga (a aspirante ficou em 4º no Distrital. Um boa classificação, mesmo assim, e apurada para o Nacional.). Digam-me que escola ensina isto?

Era uma vez um Campeonato (outro que não o Distrital), fez agora 2 semanas, e eu deparo-me com o pódio mais bonito que já vi! Um lugar ocupado com um grupo do actual clube da aspirante, amigas dela que ela adora, outro lugar com o grupo da tal amiga que já tinha ido ao pódio no Distrital e por fim, o lugar do grupo da minha aspirante. Foi uma alegria! 3 lugares, 3 grupos de amigas! A competição fica no praticável, não passa para o pódio! Digam-me que escola ensina isto?

Este fim-de-semana temos o Nacional. A competição nacional mais importante. Não aspiramos um pódio, nem sequer aspiramos o apuramento para as Super-finais (a última competição, onde só vai quem teve o apuramento no Nacional), onde estão representadas todas as modalidades gímnicas. Todos os apurados de todos os Campeonatos Nacionais de todas das modalidades de ginástica estarão em Guimarães nas Super-finais. É a festa maior da ginástica em Portugal! Mas aspiramos a que este espírito se mantenha. Que gritemos, aplaudamos e choremos todos uns pelos outros independentemente do clube. Que abracemos, que partilhemos e tragamos connosco a amizade independentemente do clube!

Isto é o sucesso! E isto não se ensina das escolas!

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