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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

O álcool mata!

O álcool mata! E isto não está, ainda, nas mentes das pessoas. A campanha de alerta para os perigos do álcool restringe-se à condução, a famosa frase "se conduzir não beba ou se beber não conduza" é nossa conhecida. Mas o álcool não mata só nas estradas! O álcool mata em casa, na rua, na taberna, nas festas, nos empregos, nas escolas, nos almoços e jantares... o álcool mata e pode ser uma morte lenta!

O álcool mata não só quem bebe! O álcool mata famílias inteiras, pais, filhos, cônjuges... O álcool mata amigos, vizinhos, colegas... o álcool mata as empresas, a economia, as sociedades...

O álcool é uma droga socialmente aceite. Não é uma droga apenas porque é alterador do estado de consciência, não! É uma droga porque cria dependência, porque destrói tudo à sua volta.

O alcoólico não é apenas o bêbado da taberna, não é sequer a pessoa que bebe uns copos de vez em quando, nem tampouco aquele que bebe em excesso, não é o pobre coitado que vive na barraca, não!... o alcoólico é um adicto! É uma pessoa que tem uma doença grave, que mata, mas tem tratamento: a adicção! O alcoólico pode ser pobre ou rico, homem ou mulher, viver no campo ou na cidade, ser analfabeto ou doutorado... O alcoólico não tem de ter força de vontade, não tem de apenas beber um copo, não tem de se controlar... o alcoólico tem de se tratar! Tem de procurar ajuda médica! Ninguém pode tratar do alcoólico... infelizmente ninguém pode fazer nada por ele!

Eu sei bem do que falo! Vivi de perto o alcoolismo, não na primeira pessoa mas como familiar... poderia ter morrido... não morri fisicamente mas morri muito por dentro! O alcoolismo do meu familiar próximo (directo mesmo) destruiu-me para nunca mais recuperar! Matou a nossa relação como ela era... há mágoas que eu não consigo ultrapassar, há uma dor que eu não consigo contornar! Já perdoei, claro! A pessoa estava doente! Tratou-se, felizmente! Procurou ajuda! Eu nada podia fazer por ela! Nem eu nem ninguém! Mas ela podia, e fez! O álcool mata!

É preciso de uma vez por todas alertar a sociedade, as famílias, o pessoal da saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, terapeutas, psicólogos...) para esta realidade. Parece estranho, mas é verdade!, a comunidade médica está a anos luz de saber o que é o alcoolismo e como se trata. Há muitos anos, quando tentava lidar com o alcoolismo deste familiar, ouvi muitos médicos, enfermeiros... sei lá!, malta da saúde que me diziam coisas inacreditáveis... tive de chamar muitas vezes o 112 para socorrer esta pessoa, conheci muitos médicos, alguns, pasmem-se, psiquiatras, que me diziam coisas como: "Um copo de vinho à refeição não faz mal!" ou "não há aqui um problema de alcoolismo, o problema é a depressão!"... enfim, não vos vou dizer o chorrilho de disparates que ouvi. Claro que estes profissionais agem na sua boa fé, mas precisam de mais informação e formação. Os Alcoólicos Anónimos prestam um serviço inestimável à sociedade, fazem acções de informação pública, fazem reuniões abertas à família, têm reuniões específicas para famílias, dão formação a profissionais de saúde (estes é que estão pouco abertos a recebê-las)... Este ponto, sobre a relação da família com o alcoólico merece um post. Vou fazê-lo!

O alcoólico vive ao nosso lado, senta-se ao nosso lado no restaurante, no comboio, no autocarro, vai buscar o seu filho à escola do nosso filho, fala connosco, pode ser educado, cordial ou mal-educado (como qualquer pessoa)... 

O álcool mata! Já vi alguns morrerem devido ao álcool! Há pouco tempo morreu um vizinho meu! 40 e poucos anos, viúvo e com 2 filhos, classe média, com estudos... morreu porque o álcool mata! Deixou 2 menores órfãos! Não fez de propósito, mas estes 2 miúdos ficaram sem pai, já não tinham mãe. Este pai, vizinho, amigo, filho, colega, morreu! Porque o álcool mata! Não morreu de acidente. Não caiu, não bateu com o carro, não se afogou numa piscina, não! O coração dele não aguentou tanto álcool e optou por deixar de bater! O coração dele recusou-se a continuar a bater, a esforçar-se por sobreviver... o álcool matou-o!

Este pai, vizinho, amigo, filho, colega, não batia em ninguém! Não fazia escândalos! Não gritava! Não tratava mal ninguém! Não dormia na sarjeta! Não caía na rua! 

Este pai, vizinho, amigo, filho, colega, tinha uma doença! E, ao contrário de muitas doenças, esta tem tratamento!

O álcool mata!

Ps. Se conhecem alguém que tem problemas com o álcool, famílias que precisam de ajuda, por favor encaminhem, os Alcoólicos Anónimos têm as portas abertas para quem quer ajuda!
 

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