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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Obrigada a tod@s os que tornaram possível a Expo'98

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Bintianos, camandro!!!! A partir dos 10 anos a malta deveria deixar de contar... passávamos a dizer: há uns anos! E pronto, ninguém saberia quantos!... Mas como ainda não sou eu quem manda nisto, lá continuaremos a contar osjanos, de forma masoquista...

Dizia eu... bintianos, camandro! Faz hoje bintianos!!!

Bintianos, o quê, catano? Perguntam vocês.... e bem! Que, tal como eu, não deram por eles passarem...

A Expo'98, camandro!!!! A Expo'98!!!!.... Ahhgggggghhhhhhhhggg...... Fónix, pá! Faz hoje vinte anos que a maior exposição do mundo abriu as suas portas na cidade mai'linda do mundo (temos pena se não são de Lisboa!... Mas Lisboa é a cidade mais linda do mundo. Não só porque eu vivo cá mas principalmente porque nasci cá! Assim sendo, as outras cidades do país mais lindo do mundo, são as segundas cidades mais lindas do mundo. Estamos esclarecidos?... Boa!).

Há 20 anos, mal eu tinha nascido, portanto, mas já cheia de opinião e senhora de todas as verdades (sou muito precoce, meus amigos, muito! Com 1 semana já andava, aos 3 meses estava licenciada... um prodígio!), considerei eu que fazer uma exposição mundial em Portugal era uma parvoíce sem precedentes. "Atão querem lá ver vocês que se vai gastar uma fortuna para quê?... Para virem cá meia dúzia de turistas?... Para aquilo ficar como Sevilha, ao abandono?... blá, blá, blá...". Eu tinha uma costela, gigante, de "Velho do Restelo". Passou-me quando tirei as fraldas, felizmente!

Sendo eu da zona Oriental de Lisboa, incomodaram-me um bocadinho as obras, o trânsito (sim, eu já conduzia com meia dúzia de meses de existência), o barulho... Não se incomoda assim uma Marquesa, que-ela-enerva-se-caraças!!!!!!!!... E eu sempre a roer baixinho... "nhanhanhammmm, nahnhanhammmm... aquilo vai ficar uma porcaria... nhanhanham... nahnhanhammmmm... é só pó, chiça!.... nhanhanhammmm..... Tanto dinheiro para quê?... nhanhanhammmm...." estão a ver a cena, certo?

Um dia o senhor meu pai ofereceu-me o relógio Swatch com um bilhete, e outro ao senhor pretendente a Marquês (começámos a namorar logo na maternidade....).... "para quê que eu quero esta porra?...", o meu pai sempre foi um acérrimo defensor da Expo'98, e discutíamos bastante o tema, e eu "nhanhanhammmm... uma porcaria.... nhanhanhammmm.... um fiasco.... nhanhanhammmm.....", normalmente a discussão com o meu pai terminava com um "Eh pá, cala-te! Sabes lá o que dizes...", e eu sempre a roer baixinho...

E dá-se a inauguração... reportagens na tv atrás de reportagens na tv, e aquilo sempre a aparecer-me à vistadosjólhos, e eu mesmo ali ao lado (Marvila é mesmo coladinha à Expo'98), e a deitar um olhinho de lado, mas sempre a fingir que não estava a ver....

E tinha o relógio com o bilhete, né? Aquilo não se podia estragar que a vida não está para desperdícios... "Bem, pretendente a Marquês, se calhar temos de lá ir gastar o bilhete.... Ouvi dizer que quem não utiliza o bilhete tem 100 anos de azar e ainda lhe nasce uma verruga no nariz...", e ele respondeu-me, "Bem, se assim é, vamos lá então!"...

E fomos! A medo, é certo! Mas fomos... e passámos lá o dia, de mochila às costas, com sandocas, sumos e um agasalho... Só saímos à noite! Não vimos metade. E como eu não sou pessoa para tirar conclusões precipitadas, como vocês podem verificar pelos parágrafos anteriores, resolvi comprar um bilhete de 3 dias para tirar as teimas... O pretendente a Marquês comprou outro e lá fomos nós passar mais 3 dias de investigação científica à Expo'98.

Desta investigação fez parte o último dia da Expo'98... E o fogo de artifício mais bonito que já vi na minha vida! O encerramento mais grandioso que alguma vez eu teria sonhado. Lágrimas correram-me na minha face, e não fui a única! Um orgulho enorme de ser portuguesa e de ter tido o privilégio de ter estado naquele local que um dia tinha sido uma lixeira, fábricas desactivadas e um antro de lixo e sujidade, e que, naquele momento, era o centro do mundo.

A Expo'98 foi um êxito onde estiveram presentes 11 milhões de visitantes, não muito longe da meia dúzia que eu tinha profetizado, onde todo o mundo esteve magnificamente representado, onde se viram espectáculos grandiosos de luz, som e água, com artistas maravilhosos. A Expo'98 acabou! Pavilhões foram desmantelados, outros aproveitados, mantiveram-se os vulcões de água e o Gil passou a ajudar crianças hospitalizadas e as suas famílias, prédios ergueram-se, jardins mantiveram-se e outros nasceram, restaurantes, bares, hotéis e uma zona totalmente renovada para ajudar a tornar ainda melhor e mais bonita a nossa cidade.

E hoje, não só hoje mas logo após a primeira visita à Expo'98, dou a mão à palmatória. Naquela primeira visita rendi-me completa e totalmente à grandiosidade daquele evento, agradeci e orgulhei-me de todas as pessoas que lá estiveram a erguê-lo, a mantê-lo, a trabalhar incansavelmente para que a Expo'98 ao fim de 20 anos fosse falada com saudade e orgulho!

A minha maior pena é que as minhas filhas não tenham podido conhecer a Expo'98 e viver o espírito do que foi aquela exposição.

Obrigada a tod@s os que tornaram possível a Expo'98!


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