Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

São cuecas, senhores, são cuecas!!!

Da série "coisas que me encanitam os nervos"... Tenho-me deparado demasiadas vezes com um português escrito à moda do Brasil... nada contra se estivéssemos no Brasil! Mas não, pessoas giras! Nós estamos em Portugal o berço da língua portuguesa!!... Ahhhhhh! Que há almas que ainda não tinham pensado nisto... mas é verdade! A língua portuguesa não nasceu no Brasil mas sim, espantem-se, em Portugal! A nossa bela terrinha!

A ler livros, e não foi uma, nem duas, nem três vezes, e em livros diferentes (e agora vocês vão-se questionar que tipo de livros ando eu a ler... garanto-vos que são livros de e para gente séria!!!!)... a palavra "calcinha" aparece frequentemente... para mim uma calcinha é uma calça pequenina (ou seja, umas calças só uma perna!!!!)... mas, aparentemente, para a pessoa que faz as traduções, "calcinha" são cuecas!!! Ai, catano!!! Cuecas! São cuecas, senhores, cuecas!...

Hoje deparo-me com a seguinte pérola, num anúncio qualquer:

"Festa de Natal na empresa? Nós ajudamos você!"...

O quê que disse mesmo? "Nós ajudamos você?"... não é que esteja errado, mas não é português de Portugal! Andou esta malta na escola a fazer o quê?....

"Ah e tal, mas a culpa é da Internet, o Youtube e o camandro, e os miúdos depois aprendem aquilo e já não sabem falar de outra forma...."... nem escrever, digo eu!... refutando esta teoria estou cá eu como prova! "Então, mas como, oh Marquesa? Não me digas que quando tinhas 15 anos também andavas no Youtube a ver vídeos?"... Não! Sosseguem, pessoas! Eu lia imensos, quilos, toneladas, resmas de banda desenhada brasileira. Lembro-me da minha avó estar sempre a dizer: Olha que tu depois não sabes escrever em português de Portugal!"... mas sei! Sei porque não só lia outras coisas, como tinha aulas de português e ainda... 2 neurónios em funcionamento, o que dá sempre jeito, acreditem!

Podia dar-vos mais exemplos que por aí se lêem diariamente, tais como: maquiagem!!!... em Portugal, lá está, é maquilhagem! E há muitos outros, mas agora tenho de ir tomar as gotas que este tema já me deu cabo dos nervos...

Almoçamos ou almoçámos?...

Ou sou eu quem tem andado desatenta, ou existe uma moda nova. Vou-lhe chamar moda para não lhe chamar um nome muito feio e ferir as susceptilidades das pessoas... Uma moda ao nível do erro de português... 

Eu, até há pouco tempo, achava que era pronúncia de uma determinada região de Portugal. Se esta moda não me incomodava quando era falado, afinal as pronúncias podem dar origem a erros falados (como em Lisboa dizermos "ovalha" em vez de "ovelha". Mas uma coisa é dizermos outra escrevermos. Eu digo "ovalha" mas escrevo "ovelha"), quando começo a ver escrito por diversos locais, aí sim já me incomoda e já me faz farnicoques nojólhos e nos nervos!

Hoje percebi que não é pronúncia, é moda erro mesmo. Fui à minha dentista. Suponho que ela seja pessoa formada e sendo de Lisboa cai por terra a questão pronúncia.

Ora falo eu de um tempo verbal que é mal utilizado. Passo a exemplificar:

Almoçamos: Presente do Indicativo do Verbo Almoçar

Almoçámos: Pretérito Perfeito do Indicativo do Verbo Almoçar

Ora, traduzindo: Um é presente (refere-se ao dia de hoje) o outro é passado (refere-se ao dia de ontem, anteontem, mês passado... o que entenderem).

Chateia-me muito, como vocês já devem ter reparado, erros de português crassos... chateia-me ainda mais a normalização do erro. "Ah! Toda a gente dá!"; "Olha, deves ter a mania tu!..." Não, não tenho a mania e agradeço do fundo do meu coração que me rectifiquem quando estou errada. Se não me rectificarem não aprenderei.

Não me incomoda que pessoas com pouca formação não saibam escrever, ler ou falar. Mas, chateia-me, fere-me ojólhinhos, aleija-me a alma, e faz-me corar de vergonha alheia quando leio, escrito por jornalistas, bloggers, influencers (e por aí fora), coisas deste género. Não entendo e não aceito que existam pessoas que são lidas por milhares que dêem erros destes. É certo que um acento pode escapar quando estamos a escrever (a falar já não pode escapar), já não é tão certo quando o mesmo erro é repetido no mesmo texto, e em textos diferentes, e com verbos diferentes.

Almoçamos/Almoçámos; Perguntamos/Perguntámos; Começamos/Começámos...

E voçês, não têm cede?...

Já vos tinha dito que me apoquentam, muito, muito, muito, erros de ortografia crassos. Não falo de erros de digitação nem de palavras que o simpático (nop) corrector ortográfico resolve substituir. Falo de erros inacreditáveis e dados por pessoas com formação suficiente para não os darem.

Há uns dias, entretinha-me eu a percorrer o stories do Instagram quando me deparo com a palavra "voçês" e logo na história seguinte uma palavra que se não fosse precedida pela palavra "água" eu ainda estava atentar perceber o que seria... "Cede". Aquela pessoa não tem "cede"... Coitada! Então não bebe água porque não tem "cede"... What?!... 

Ah... coitada da tua amiga, não andou na escola, marquesa?

Sim, poderia ser minha amiga, mas não é! É uma blogger, youtuber e cenas dessas... pessoa que até é licenciada e pessoa que até promove marcas. Isto sim é grave! É grave como não perde seguidores... como se normaliza o erro ortográfico... E, quase que aposto, que as pessoas que normalizam os erro ortográficos são as mesmas que crucificaram a Catarina Furtado pelo seu inglês... a sério?!?... grave seria a Catarina dar calinadas destas em português.

Esta pessoa, blogger e tal, tem parcerias com marcas (pelo menos fala delas). E eu pergunto, na minha profunda ignorância, qual a marca que se quer associar a quem dá erros destes?... 

E não, o corrector não é desculpa. O corrector é um chato que é, tem a mania que sabe tudo, mas se nós escrevermos "voçê" ele vai corrigir para "você", e vai daí que ainda é preciso voltar atrás e escrever de novo com erro. Ou então, nos casos em que não corrige, é preciso ignorar o tracejado vermelho.... Não há desculpa!!!!

Quantas gramas?... Quantos gramas?

Da série coisas que me fazem comichão, me arrepiam os cabelos e me fazem suar do bigode....

As gramas... 

A grama é a relva, ou a 3ª pessoa do singular do verbo gramar...

Quando nos referimos a peso é:
O grama... Ou seja:

- Sr. António quero duzentos gramas de queijo, por favor.

e não duzentas gramas, como muitas, demasiadas, pessoas apregoam por aí.


Pior que isto é ouvir de uma professora primária:
- O meu João nasceu com três quilos, trezentas e cinquenta e duas... 
- Oi?!?!.... Não, criatura!! O teu filho, no limite nasceu com três quilos, trezentos e cinquenta e dois gramas. E já deve ter perdido uns valentes gramas quando te ouviu dizer isso.

Sim, é a Marquesa e o seu mau feitio do dia!