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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Os meus vizinhos são melhores do que os vossos #4

Vá, digam lá a verdade... já estavam com saudades dos meus vizinhos, correcto pessoas giras?... andavam por aí em ânsias para saber o que é feito da vizinhança de vossa Marquesa... pois está tudo tranquilo... andam mais ou menos sossegados... esta história já tem uns anitos, ainda é do tempo em que o artista do meu vizinho de cima ainda cá morava... Deus ou o Diabo o conservem bem longe de mim!... chiça! Váderetro!!!!

Bem, mas então vou-vos contar esta bonita história!... preparados?... já têm as pipocas?... vá, ide lá buscar que eu espero um bocadinho!.... já está?!... então cá vai...

Num belo Verão, no meu querido mês de Agosto (ouçam a música a tocar de fundo), éramos nós administradores deste belo condomínio (tempos para esquecer... mais parecíamos administradores de um manicómio), quando fomos de férias. A família toda faz as valises, arruma os tarecos, óculos de sol nas fuças, protetor solar na maleta e lá vai ela... féeeriiiaassss!!! (já ia, outra vez!)... tudo muito certo, tudo muito bem, fomos de férias!... mas... há um dia em que voltamos! Voltamos das férias!...

Lá vimos nós, todos contentes, de regresso a casa... já de noite, num Domingo... chegamos, estacionamos o carro na garagem e subimos para casa. Chegados a casa...

- Ai caneco! Não há água! Fónix pá! Como é que tomamos banho, puxamos o autoclismo e fazemos o jantar?... Ohhhh Marquês (aos gritos e já possuída), tu por acaso não te esqueceste de pagar a conta da água nem nada?... (eu já de mão na cintura e pézinho a bater no chão... nervosssss!!!!)... - mas não! O Marquês não se tinha esquecido de pagar a água!...

- Hummmm.... então o que aconteceu?... - como não sabíamos, liguei para o piquete da Câmara, resposta:

- Sim, a água do prédio foi desligada há 3 dias!!!!

- Oi?!?!?!... Como assim? Desligada?!... há 3 dias?!?... como assim?...

Depois de muito chorar, de dizer aos senhores que ia cortar os pulsos e eles seriam responsáveis por isso, de ameaçar que me barricava na Câmara... os senhores, só para eu me calar, lá acederam (simpaticamente, diga-se! Foram impecáveis!) a vir cá, mais uma vez....

Sim, mais uma vez!!!! Os senhores quando cá chegaram lá me explicaram, ou tentaram, vá... até serem interrompidos... por quem? Por quem?... acertaram!!!... o meu vizinho de cima e sua parceira de conspiração de condomínio, a outra vizinha! Ora, os senhores da Câmara explicaram que já cá tinham estado há 3 dias, que tinham desligado a água pois tinha rebentado um cano... ora, segundo os senhoras da Câmara o cano, apesar de estar na rua, pertencia ao prédio e por isso era responsabilidade do prédio arranjá-lo. Teríamos de contactar uma empresa que o fizesse...

Nisto, chega a tal vizinha com 2 garrafões de água na mão... começa a confusão... entretanto chega o meu vizinho de cima... instala-se o drama!... vocês preparem-se... a malta que habita este prédio, pessoas aparentemente normais, 6 andares duplos (esq. e dto.) de pessoas à primeira vista sãs, não fez nada para resolver a questão porque não eram os administradores!... What?!?!... então e se nós, os administradores, estivéssemos um mês de férias?... estaria esta malta sem tomar banho, sem puxar o autoclismo, sem cozinhar, lavar os dentes, etc... durante todo esse tempo?... mas como é que isto cabe na cabeça de alguém?!....

Bem! Os senhores da Câmara, simpaticamente, disseram-me que avisasse todos os vizinhos que iriam abrir a água durante 30 minutos para as pessoas poderem tirar água. Nisto, o meu vizinho saltava (como só ele sabe fazer), gesticulava (como só ele sabe fazer), dizia impropérios, levantava os dedos e acusava os senhores da Câmara... eu punha paninhos quentes e tentava resolver as coisas a bem para não ficarmos sem água... (eu ainda estava incrédula... como é que os loucos dos meus vizinhos não tinham feito nada para termos água?!...). Os senhores da Câmara lá abriram a água para nós nos amanharmos durante 30 minutos... o meu vizinho continua aos gritos, com a outra doida a abanar a cabecinha e a dizer: "muito bem! É isso mesmo! Pois com certeza..."; Eu tomei o frasco todo das gotas para conseguir tratar do tema (o Marquês nem apareceu... recusou-se! "Eh pá, não tenho paciência para essa malta!") sem espancar os dois vizinhos... 

Enquanto os senhores da Câmara nos diziam que tínhamos de chamar uma empresa que nos arranjasse o cano, como podíamos fazer, falar com quem e o catano... o maluco (não há outro nome) do meu vizinho desaparece (Benzódeus) para aparecer 2 minutos depois com um entendido no assunto... um doutorado em canos que aparece ali com ele... (só eu, senhores, para aturar isto)... os senhores do piquete da Câmara riam-se e educadamente explicavam o que poderia ser feito...

Nisto, aparece o Presidente da Junta com um outro vizinho nosso que era candidato à Junta nas eleições seguintes que, por acaso, eram logo dali a 2 meses... sorte a nossa! Ora o Presidente da Junta era de um partido e o meu vizinho de outro, adversários portanto!... o vizinho que o foi chamar e, também, candidato à Junta fez aquilo por despeito e numa de: "Vê lá agora como é que te desemerdas disto!"... Vocês não estão bem a ver o festival, eu faço o resumo para se situarem:

Eu, vizinha tresloucada, vizinho doido, vizinho candidato à Junta, 3 senhores do Piquete da Câmara, 1 doutor em canos, o Presidente da Junta... e um cano a jorrar água por todos os lados... um mimo!!!

Bem, o Presidente da Junta não se ia ficar... resolveu reagir àquela provocação da melhor forma que sabe (Abençoado sejas, pessoa!) e disse: - A Junta arranja o cano! (silêncio... tudo vira as suas cabecinhas para o lugar de onde vinha aquela voz mágica);

Vizinho Candidato à Junta: - Deve ser verdade, deve! Agora vamos todos para casa e amanhã já ninguém o encontra...

Vizinho Doido: - Mas quem tem de arranjar o cano é a Câmara, não é oh Cajó (pessoa doutorada em canos)...

Cajó: - Hummmmm (é sabido que os doutores em canos analisam tudo muito bem antes de proferir palavra).

Eu: - Oh senhor, se o Presidente da Junta quer arranjar o cano e a Câmara não, deixe-o! Ele lá deve saber o que está a fazer...

Presidente da Junta: - A Junta arranja o cano mas a Câmara arranja a calçada e as escadas exteriores...

(Enquanto estes diálogos decorriam, existia sempre um burburinho de fundo, vizinha tresloucada e vizinho louco trocavam assunto com toda a gente..)

Vizinho candidato à Junta: - E isso é para quando? Para daqui a 2 meses? Depois das eleições, não? Fica a promessa mas a obra nada...

Presidente da Junta: - É para agora!

Silêncio!... O Presidente retira-se e aparece minutos depois com um verdadeiro entendido em canos! E arranja o cano! E os senhores da Câmara vão embora para voltarem depois para religarem a água quando o cano já estava arranjado. Mas foram os único a irem embora! Eles e eu, que fui jantar e regressei quando me tocaram à campainha para ir assinar um papel!

Ps. O meu vizinho candidato à Junta não ganhou as eleições e o Presidente manteve-se o mesmo! 


Os meus vizinhos são melhores do que os vossos #3

Ora mais uma volta, mais uma chapa, num é berdade?...

Mais uma pérola do meu ex-vizinho de cima...

Reunião de condomínio (esse evento sempre tão aguardado... sóquenão!...)... a rampa da garagem estava com problemas (ou melhor, problemas tenho eu, caraças! Ela estava era mesmo mal feita!), os carros raspavam por baixo quando entravam ou saiam da dita. Foi comunicado a todos os vizinhos que íamos pedir orçamentos, quem quisesse era livre de os apresentar também... escusado será dizer que o meu "querido" ex-vizinho de cima adorou este momento em que poderia ser protagonista.

Mas dizia eu, reunião de condomínio:

- Nós, administradores, levámos 3 orçamentos, como manda a lei! E o nosso ex-vizinho também levou um orçamento... e queria porque queria que o dele fosse aprovado! Porque era mais barato! Mas não foi!

- Xinapá!!! Gandas burros!!!! - pensam vocês - Então não aceitaram o orçamento mais baixo?...

- Não! Não aceitámos por unanimidade (excepto o próprio, claro!)... aquela alma queria aprovar um orçamento de um amigo dele, de confiança note-se, mas o amigo não passava factura!... ahahahahahahahahahahha!!!!! O mister A-mim-ninguém-me-engana queria que aprovássemos um orçamento feito num "papel de merceeiro", a caneta, e sem factura!!! O doutor que achava que nós andávamos a roubar o condomínio queria aprovar um orçamento escrito a caneta num papel!...para uma obra de garagem... não era para comprar uma lâmpada, senhores!

Bem, lá se aprovou um dos orçamentos e lá se iniciaram as obras!!! Foi pedido, e afixado como manda a lei, através de carta que todos os condóminos retirassem os carros da garagem a partir do dia x sob pena de não poderem sair de lá durante 2 semanas.... claro que o nosso mais querido vizinho não o fez! Lá deixou o carro! Encontrou-nos lá em baixo e desata aos gritos, claro! ele é pródigo em gritos, que aquela obra era ilegal, que o orçamento não tinha sido aprovado e blá-blá-blá... e nós com a acta assinada por todos (ele inclusive)!... Ai senhores, só me calham é doidos!!! Ignorámos, claro! Dissemos-lhe "Boa tarde! Passe bem!" e viemos embora!

Quando as obras começaram, estava a rampa cheiinha de cimento fresco, tão fresco e molhado que se lá pomos um pé ficamos lá, sabem?... quando o senhor Marquês recebe uma chamada do senhor das obras, vocês atentem:

- Estou senhor Marquês?
- Sim!
- Olhe, o seu vizinho, aquele que não tirou o carro da garagem (quem mais havia de ser, pessoas?) chegou agora aqui e disse o seguinte (oh! pá! Isto é uma pérola): - Quem é que vos mandou fazer isto?! (Aos gritos, claro está!) Isto é ilegal!... (e saltava, claro!... e os homens das obras a olharem para ele... incrédulos!) Eu vou passar com o carro por cima disto e parto isto tudo!

Senhor das obras: - Olhe que se fizer isso vai é partir o seu carro todo! O cimento nós voltamos a pôr já o seu carro poderá não ter solução!

Vizinho tresloucado: - Ai não?!?! Ai não?!?!... querem ver?!?! (e saltava - o Marquês ouvia isto e não sabia se havia de rir ou acalmar o senhor das obras)... querem?... Eu vou só a casa tomar um banho e já cá venho partir isto tudo!!

What?!?!?... O vizinho é dado à higiene! Ele vai partir aquilo tudo mas vai de banhinho tomado e cheirosinho! Não se parte rampas de garagem em estado badalhoco, onde é que já se viu?! Era prendê-los a todos! Todos os que partem rampas de garagem sem banhinho tomado!

Ai senhores.... Ligámos para a polícia que nos disse que caso ele tentasse alguma coisa para os chamarmos... claro que não tentou nada! Nunca mais foi visto durante os dias em que duraram as obras da garagem!... Ainda ficámos com medo que tivesse caído na banheira, mas não! Dava para o ouvir a vociferar impropérios pela casa fora a propósito da obra ilegal que estava a ser feita neste prédio!... 

Os meus vizinhos são melhores do que os vossos #2

Ora parece que andava tudo aí num alvoroço, sem eira nem beira, com olheiras até ao umbigo, a suarem do bigode tamanha era a ânsia de mais histórias aqui do condomínio mais louco da história da humanidade, num é verdade?...

Cá estamos para mais uma história...

Se bem se lembram, se não se lembram é só clicarem no respectivo link já aqui à frente, eu falei-vos de um boato que correu aqui pelo meu prédio... Corria o ano de... sei lá!, já foi há uns tempinhos... mas dizia eu, certa altura da vida, alguém se lembrou de lançar um boato sobre a mais nobre família do condomínio: Nós!... mas vamos começar pelo princípio:

Certo dia, ou melhor, certa noite, numa séria e imparcial (NOT) reunião de condomínio (à qual ninguém aqui do palácio foi... mas foi mesmo porque não podíamos, nós não faltamos a tamanha animação... só faltam os acepipes e o vinho para a festa ser completa), nós e outros vizinhos (que também não foram à reunião... ela porque havia falecido há uns meses e ele porque era viúvo há poucos meses e tinha dois filhos pequenos para cuidar. Este à parte é só para verem a integridade moral dos vizinhos que participaram na reunião!) fomos nomeados administradores de condomínio. Ninguém nos perguntou se podíamos, se queríamos, se tínhamos disponibilidade, nada! limitaram-se a informar-nos! Ora, como nós (eu e Marquês) até somos boas almas ou pelo menos empáticas, dissemos ao nosso vizinho (também ele nomeado) que não se preocupasse que nós tratávamos de tudo o que pudéssemos. E assim foi! 

Nós tínhamos pouco tempo, trabalhávamos ambos fora de casa, com horários de entrada e saída no trabalho, como qualquer emprego normal, ainda tínhamos duas filhas pequenas e uma vida para cuidar... vai daí que não passámos o condomínio no dia e mês que as restantes almas que habitam este prédio achavam que seriam os indicados... vai daí que, em vez de marcarem eles uma reunião de condomínio para pedirem a "pasta" resolveram lançar boatos...

Uma vizinha, que deveria ser contratada pelas Produções Fictícias para fazer guiões, começou a espalhar pelo prédio a seguinte pérola:

- Eu, excelentíssima senhora Marquesa de Marvila, havia abandonado o meu marido com as nossas duas filhas e dois cães e partido para parte incerta... há anos que ninguém me via... (eu saia de casa às 7h da manhã, quando ainda tudo dormia e voltava a meio da tarde, quando aquela alma possivelmente já dormia)... o meu marido, coitado, triste, só e abandonado, com duas crianças e dois cães, estourou o dinheiro do condomínio na compra de um carro (carro esse que era do meu pai, mas como ela viu um carro novo por aqui optou por fazer considerações...).

E lá andávamos nós todos lampeiros, a dizer bom dia e boa tarde às pessoas que sussurravam cenas destas nas nossas costas... quero dizer, nós não! O Marquês, que de mim ninguém sabia...

Certo dia, um vizinho com um pouco de mais juízo do que os outros resolve contar-me (ah! Espera! Afinal alguém me via!)!

Eu e o Marquês rimos tanto, mas tanto que vocês nem imaginam!!! Nem sonham as graçolas que fizemos à custa de tal boato!... Ainda fazemos! 

Bem, lá se marca a reunião para passar a pasta e apresentar as contas... que chatice! Tudo certo! Afinal ninguém comprou um carro com o dinheiro do condomínio!... No dia em que passámos a pasta exigimos (já com propostas para apresentar) que a partir dali a gestão do condomínio passasse para um empresa e explicámos o porquê, ora atentem na preciosidade:

eu: - A gestão do condomínio tem de passar para uma empresa porque, para além da gestão de contas ser feita de forma mais eficaz, eles vão renegociar todos os contratos com os fornecedores (e renegociaram! Baixámos imenso as despesas), evita-se que sejam lançados boatos bastante desagradáveis sobre os administradores, que põem em causa a sua honestidade (eu consegui dizer isto sem me rir!)...

vizinha lançadora de boatos (a corar): - Boatos?... errrrr..... não sei de boatos nenhuns! - nisto os restantes vizinhos começam a movimentar-se... um põe a mão na boca para suster um riso... outro começa a olhar para o teto...

eu: - Então parece que alguém começou a dizer por todo o prédio que eu tinha abandonado o meu marido e as minhas filhas e ele, coitado, estourou o dinheiro do condomínio na compra de um carro...

vizinha lançadora de boatos (em nervos): - Eu não disse nada disso!

eu: - Mas eu também não disse que foi a senhora!....

Risos!... vizinhos a virarem costas para ninguém ver que riam... a senhora corada e gaga... e eu com uma vontade de largar a rir descomunal... a conter-me, sem olhar para ninguém se não largava a rir...

Resultado: A senhora que se opunha veementemente a que a administração passasse para uma empresa aceitou logo!

Nós entregámos a pasta à empresa e pedimos um relatório de contas a ser apresentado em como não faltava um tostão na nossa administração! A empresa fê-lo e apresentou-o!

Os meus vizinhos são os maiores do mundo, catano! Ainda há mais histórias, senhores! 


A mim ninguém me engana! #Vizinhos #Capítulo 1

Afinal nem tudo o que é maluco vem para cá a casa... há alguns que vêm parar só ao nosso prédio, chamam-se vizinhos... neste caso vizinho!... ou melhor, ex-vizinho, graças a Deus e aos anjos e santos e tuditudo!

Há uns anos fomos nomeados administradores do prédio!... ahahahahhahahahhahahahhaha!!!! Cada vez que me recordo disto e destes tempos tenho um ataque de nervos. Dá-me para rir! Depois sobe-se-me pela espinha (adoro! espinha!) um formigueiro e eis que se me assola um pequeno avc e uma paralisia facial ligeira... depois... há-de passar, daqui por 3 dias mais ou menos!

Mas dizia eu, fomos nomeados administradores de condomínio deste manicómio!... tudo corria normalmente, mal sabíamos nós o que nos esperava e que podia haver tanto maluco por metro quadrado, catano!... quando um dia alguém (eu hei-de contar esta história também) resolve acordar de manhã e começar a espalhar pelo prédio que eu e o senhor Marquês tínhamos comprado um carro com o dinheiro do condomínio! Melhor, que o senhor Marquês tinha comprado um carro com o dinheiro do condomínio devido ao desgosto de eu o ter "largado" com duas crianças para cuidar e ter fugido para parte incerta... eu depois conto-vos isto melhor!

Bem, depois do boato lançado o doido varrido, o louco do meu vizinho de cima desata a cirandar pelas escadas aos gritos e a dizer que nós éramos uns gatunos, uns bandidos... o Marquês, possuído pelo demónio abre a porta e larga em direcção ao patamar dele... eu vou atrás e digo ao cão: - Cão! Tu fica aqui com as meninas! - o cão a tremer ficou deitado à entrada da porta em nervos, com 4 avcs e 10 enfartes seguidos (o cão morreu mesmo de problemas cardíacos, tadinho do meu menino! Mas não foi nesse dia!), e vou atrás do Marquês tentar acalmá-lo! Quando lá chego deparo-me com uma cena que... nem sei... só filmado! Vou tentar descrever:

O meu vizinho, lingrinhas que só ele, careca e com um farto bigode, meio metro de gente, vestia uns calções à futebolista antigo (aqueles curtos e lustrosos, sabem?), uma camisola branca de manga à cava, umas meias brancas turcas (daquelas com raquetes) e uns chinelos plásticos da natação... só isto já dava para largar a rir sem parar!... o meu vizinho gesticulava, ameaçava, pulava (se vissem os saltos que ele dava, senhores... de chorar a rir)... de dedo em riste dizia: - A mim ninguém me engana!... -  o Marquês, que não é homem alto, nem encorpado, só estica o braço e o homem já não consegue avançar mais.... mas grita, ofende-nos de tudo! Diz ao Marquês que até eu o abandonei, e eu... de dedinho no ar: - Errrrrrr.... eu não quero desiludi-lo mas estou aqui!... nisto vem o outro vizinho do lado a tentar acalmá-lo e só dizia: - Oh senhor, isto é tudo gente de bem! - e o outro aos saltos e a esbracejar resolve ir chamar testemunhas... - ahahahahhahahahahahhah!!!! Cada vez que me lembro só tenho vontade de me rir! - e entra no elevador deixando-nos a todos no seu patamar a aguardar, nisto mais outro vizinho se juntou também... tudo em suspense...

Abre-se o elevador e lá vem ele, naquela rica figura, e a sua preciosa testemunha, a pessoa que tinha lançado o boato e que dizia: - Eu não sei de nada! Eu não sei de nada! - tal qual um disco riscado!

A mulher dele nem se ouvia, nem se via, nem respirava, dentro de casa... deve ter sido um dos dias mais vergonhosos da sua vida!... e ele dizia: - Eu vou provar! Eu vou provar! - nisto entra na sua casa e fecha a porta!...

Eu e o Marquês chegámos ao nosso patamar e deparamo-nos com o desgraçado do cão, ali, firme no seu posto de guarda e a tremer feito gelatina, coitado!... entrámos em casa e largámos a rir descontroladamente! Acho que nos rimos durante 2 ou 3 anos seguidos! De cada vez que falamos nisto, largamos a rir... As miúdas na sala a ver tv, como se nada fosse e a cadela (tínhamos uma cadela gigante que tomava conta das miúdas com a sua própria vida, se fosse preciso) colada a elas... e nós a rirmos!!!... de vez em quando ouvíamo-lo aos gritos lá em casa e dizia a mítica frase, que estará para todo o sempre associada a ele (que a disse muitas vezes em diversos momentos): - A mim ninguém me engana! A mim ninguém me engana!... como se ele próprio se quisesse convencer disso.