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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Fazer amigos foi o melhor que fiz na vida!

Desde que me lembrava de mim que vivia com a minha avó. Eu e ela, ela e eu. Vivíamos na nossa vila, com todos os que faziam parte dela. Todos os dias ia com ela para o seu trabalho. Os seus turnos faziam com que por vezes saíssemos de casa de noite ou chegássemos de manhã. No Inverno era pior e aí íamos na camioneta da empresa que nos apanhava quase à porta de casa e nos deixava na empresa... mas a minha avó não gostava de ir na camioneta da empresa, eu sim! Adorava! A minha avó não! Ela nunca gostou de dever favores a ninguém, de depender de ninguém, para ela ir na camioneta da empresa era um favor que lhe faziam (não era! A camioneta servia para isso, ir buscar e levar os funcionários). Quando a minha avó trabalhava no turno na noite, ela e as suas colegas faziam-me uma cama debaixo de uma das secretárias com cobertores e mantas e ali ficava eu a dormir... 

Um dia, a minha avó pega-me pela mão numa manhã de Outubro e dirigimo-nos para o palácio da nossa vila... subimos o primeiro lanço de escadas e depois o segundo e tocámos à campainha... a porta abriu-se e perante mim surgiram as escadas mais íngremes que eu já tinha visto... umas escadas estreitas, de parede a parede, altas e íngremes...

- Até logo! - disse-me a minha avó com um beijo. Eu, com a pasta (não havia mochilas. A pasta era uma mala que se levava na mão ou às costas) na mão subi as escadas. Uma senhora esperava-me. Eu conhecia-a. Eu conhecia toda a gente da nossa vila. Ela levou-me para uma sala cheia de meninos. Eu estava na escola. Em 6 anos de vida este era o primeiro em que não ia trabalhar com a minha avó... já não iria mais. Estava na escola.

A minha escola primária era uma das que funcionava no palácio da nossa vila... Começaram os 4 piores anos da minha vida! Nunca fui tão infeliz como naquela escola! Felizmente não precisava de lá passar o dia todo e até ia almoçar a casa. Mas não tinha amigos... ficava praticamente sozinha nas aulas e nos recreios... na minha sala havia um menino com quem me dava, era meu amigo da vila, um dos anos também houve uma menina com quem falava... nos recreios dependia... se os meus amigos da vila tivessem recreio ao mesmo tempo que eu, brincava, se não (e era frequente, os recreios eram à hora que os professores quisessem) ficava sozinha. A professora dava-nos com o apagador de madeira nas mãos se não soubéssemos a tabuada ou quando dávamos erros no ditado... passava o dia desejosa de ir para casa, para poder ir brincar com os meus amigos. Entre a infelicidade de quase não ter amigos e o medo que eu tinha da professora se passavam os dias naquela escola. Chorei muito naquela escola, deve ter sido aí que se me secaram as lágrimas, catano! 

Quando terminei a 4ª classe o meu pai decidiu que eu iria mudar de escola... bendito paizinho!!!! Bezódeus!!! Vá, uma salva de palmas ao meu pai! Paizinho, és o maior, catano! Começaram aos 10 anos os melhores anos da minha vida e com eles se foi o sossego do meu paizinho, coitado!... talvez se tenha arrependido da sua decisão... muitas vezes me ameaçou: Olha que eu ponho-te num colégio interno... nunca pôs! Fui muito feliz na minha segunda escola, onde estive do 5º ao 12º ano, sem nunca chumbar!

Apesar de tudo, não guardo com rancor aqueles dias passados naquela escola... foi também minha responsabilidade não ter feito mais amigos, ter-me agarrado apenas e só aos meus amigos de sempre... com a mudança de escola isso mudou! Eu mudei! E comecei logo no primeiro dia a fazer amigos, amigos para a vida. Amigos que ainda hoje o são. Amigos que são padrinhos das minhas filhas, amigos cujos filhos eu sou madrinha. Amigos que são família e que o tempo não afastou. Alguns dos meus melhores amigos são-no desde que tínhamos 10 anos de idade, e isso é tão bom!!! São mais do que amigos. 

Fazer amigos foi do melhor que fiz na minha vida e só dependeu de mim!

Escola, o que é o almoço?

Anda por aí uma celeuma das grandes, e com razão diga-se, por causa da alimentação das crianças nas escolas.

Esta história é tão inacreditável que eu nem sei por onde começar para botar discurso de opinião sobre o tema. É aquele tipo de história que não tem ponta por onde se lhe pegue! Toda ela é inacreditável.

Ora, para quem não tem filhos em idade escolar, ou tem mas não andam na escola pública, ou tem e andam na escola pública mas almoçam em ou de casa, vamos esclarecer a questão:

Era uma vez um país encantado e à beira-mar plantado (fiz uma rima! Yeahh), que se diz, e é considerado pela OCDE, um país de 1º mundo. Ora o que é isso? Perguntam vocês... E perguntam muito bem, pois neste país, apesar de classificado como 1º mundo, o que por lá se passa é digno de 3º mundo. Este é um país europeu, que até pertence à Comunidade Europeia, mas onde as crianças que estudam nas escolas públicas não têm acesso a alimentação em condições e suficiente.

Neste país, onde o sol brilha muitos dias no ano (É. Não sei quantos ao certo e não me apeteceu ir googlar sobre o tema), onde as pessoas deveriam ter acesso ao mínimo, tal como consta na Constituição (Sim, este país tem uma constituição, apesar de às vezes parecer que não), para a sua sobrevivência, as crianças que estudam na escola pública (Sei que não acontece em todas mas está a acontecer em demasiadas. Uma já seria demasiado), sim o ensino é um direito num país civilizado, não têm direito ao mais básico para a sobrevivência da espécie humana (E de qualquer outro animal): A Alimentação.

Dá-se o caso de, neste belo país, onde se discutem m***d**s e há revoltas e revoluções (todas elas virtuais, é certo) por cenas de cocó, há uma aparente apatia perante almoços servidos às nossas crianças de rissóis crus (Crus, pessoas! Não estavam mal passados, estavam crus. Nem foram à frigideira, nem ao forno. Nada!), uma batata com meia posta de um peixe por identificar, lagartas na única folha de alface do prato, um suposto bacalhau meio cru e a saber a detergente... E ninguém faz nada!!! Há semanas que se lê sobre o tema, principalmente nas redes sociais, e ainda não houve cabeças a rolar. A comida (não se pode chamar aquilo de comida, pois a comida tem de ser comestível), as cenas que são colocadas nos pratos das crianças para que elas comam, continua a ser servida da mesma maneira, sem o mínimo de equilíbrio, qualidade e quantidade.

Tenho lido, também nas redes sociais, que há cada vez menos crianças a almoçar nas escolas. Os pais optam por lhes enviar comida de casa, dar-lhes dinheiro para almoçarem no bar ou fora da escola. Muito bonito, sim senhor. É uma solução? Não, não é! Há crianças cujos pais não têm dinheiro nem condições para lhes proporcionarem alternativas à alimentação da escola. Há crianças cuja única refeição quente e em condições a que têm acesso durante o dia é o almoço da escola.

Ah e tal a responsabilidade não é das escolas, nem das câmaras, nem do governo, nem do raio... A responsabilidade é das empresas que ganharam os concursos públicos para fornecerem as escolas. Ahhh! Assim, está bem! Assim já ficamos todos mais descansados... Uma porra é o que é! Então e a responsabilidade das escolas, nas figuras do directores, que estão a levantar processos disciplinares aos alunos que fotografam a comida para poderem denunciar? Não deveriam as escolas estar ao lado dos alunos nesta luta? Mas afinal quem é que está aqui a ganhar? Ou, neste caso, a perder? Há escolas a proibirem os alunos de levarem telemóveis para o refeitório!... Meus amigos, estamos num país de 1º mundo, em pleno séc. XXI... Não estamos na Coreia do Norte, nem em qualquer outro país que abre telejornais devido à privação de liberdade do seu povo. Estamos em Portugal, um país que saiu de uma ditadura há muito pouco tempo e que, das duas uma, ou já se esqueceu ou ainda traz memórias enraizadas de como a censura se faz.

Ainda não vi, posso andar a ver mal, verdade, mas não me recordo das entidades incompetentes competentes se terem pronunciado sobre este tema e sobre as soluções para o mesmo. Quem andará a ganhar com isto? Alguém andará com certeza, um país de chicos espertos não se pauta pela simples incompetência (esta serve apenas e demasiadas muitas vezes para camuflar os ganhos).

Os directores de turma (coitados, aqueles que levam com os pais e que nada podem fazer em relação ao tema), ouvem as queixas dos encarregados de educação e respondem: Pois, eu não sei... Eu não como a comida da escola! - Pudera! Nem de graça!

A mini aspirante a marquesa (a minha mai' nova) leva comida de casa quando tem de almoçar na escola, mas já me descreveu aquilo que vê os colegas comerem. E sim, é intragável. E sim, ela tem colegas que comem todos os dias na escola, mesmo quando não têm aulas à tarde. Relembro que, muitas vezes é a única refeição que algumas crianças  têm. 

 

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Quantas gramas?... Quantos gramas?

Da série coisas que me fazem comichão, me arrepiam os cabelos e me fazem suar do bigode....

As gramas... 

A grama é a relva, ou a 3ª pessoa do singular do verbo gramar...

Quando nos referimos a peso é:
O grama... Ou seja:

- Sr. António quero duzentos gramas de queijo, por favor.

e não duzentas gramas, como muitas, demasiadas, pessoas apregoam por aí.


Pior que isto é ouvir de uma professora primária:
- O meu João nasceu com três quilos, trezentas e cinquenta e duas... 
- Oi?!?!.... Não, criatura!! O teu filho, no limite nasceu com três quilos, trezentos e cinquenta e dois gramas. E já deve ter perdido uns valentes gramas quando te ouviu dizer isso.

Sim, é a Marquesa e o seu mau feitio do dia!