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A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

A Marquesa de Marvila

Aqui não se aprende nada... Lêem-se coisas escritas por mim, parvoíces na maioria das vezes mas sempre, sempre verdades absolutas (pelo menos para mim).

Toda a humanidade merece estar segura

1996... Outubro... estava eu sentada num canteiro, do lado fora, com o meu pai. As pessoas andavam de um lado para o outro, umas iam trabalhar, outras vinham de trabalhar, umas passeavam, outras faziam compras, outras estavam de férias. O corre-corre era intenso e fascinante. Eu e o meu pai em silêncio, cansados do dia, observávamos a azáfama.... o meu pai quebra o silêncio diz:

- Eu era capaz de viver aqui!

Eu olhei para ele surpresa, o meu pai até à data nunca tinha manifestado viver bem e feliz em lugar algum que não fosse a sua cidade, Lisboa. Olhei para ele e de seguida olhei em frente, com um sorriso nos lábios, ergui os olhos, dobrei o pescoço para trás para conseguir ver os 110 andares que estavam à minha frente. Este momento ficou para sempre gravado na minha memória.

5 anos depois, estou sentada no escritório, sozinha. Os meus colegas estavam fora em trabalho, recebo um telefonema, uma amiga que me pergunta: - Tu sabes o que aconteceu?... Não, eu não sabia o que tinha acontecido! Ela também não! Tinha visto nas notícias um avião que tinha embatido contra um prédio em Nova Iorque. No início ninguém sabia o que tinha acontecido. Eu fui à net. Tentei acompanhar as notícias e ainda hoje eu não consigo dizer o que aconteceu. A catadupa de notícias era inacreditável. O que os meus olhos ocidentais, de primeiro mundo, estavam a ver eram imagens nunca vistas, nunca sentidas...

O coração do mundo ocidental, o lugar mais seguro do mundo tinha sido atingido! Há quem o qualifique como o maior acto de terrorismo de sempre... eu não sei o que é o maior acto de terrorismo de sempre. Não posso saber porque eu não vivo no meio de guerras, eu não sei o que é viver dia após dia com a morte como companheira, a ver os meus pais morrerem trucidados, a ver as minhas filhas mortas e violadas. Posso considerar que aquele foi o maior acto de terrorismo contra o mundo ocidental. Aquele mundo que alimenta guerras, que vende armas, que ganha milhões com as guerras mas que nunca sofre nada.

É claro que gostava de um dia voltar àquele lugar onde o meu pai não se importava de viver, mas esse lugar já não existe. Hoje existe um lugar com menos amor, com menos valores importantes, com mais ódio e raiva. O mundo onde vivemos tornou-se num lugar ainda pior!... Espero que as pessoas que vão a Nova Iorque, visitar o Memorial 9/11 para fazer uns minutos de silêncio ou pôr flores por quem morreu, e até mesmo as que lá vão apenas para as selfies, saibam que a paz no mundo também está nas suas mãos.

Tal como gostava de regressar a Nova Iorque, também gostava de conhecer a Síria em segurança, a Palestina, Israel, o Líbano, Venezuela, todos os países de África que sofrem com guerras e guerrilhas... o terror está onde há uma alma humana a sofrer de medo! Onde há pessoas a serem violadas, torturadas. Não é só o EUA, nem a Europa que merecem a paz, que merecem viver em segurança. Toda a humanidade merece estar segura!

Que o 11 de Setembro nos faça rezar por todas as almas que vivem no terror diariamente e que nos consciencialize para que façamos mais por elas!

Que o 11 de Setembro não se volte a repetir, nos EUA, na Síria, na Venezuela, na Faixa de Gaza, em África! Já chega de sangue de inocentes!

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